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08 fevereiro 2017

Uma desculpa para não desistir


- Quantas vezes você quis desistir?

O que te prende a este mundo quando tudo dá errado?  O que te faz seguir em frente mesmo quando as palavras atingem e tingem o seu coração e alma com uma cor escura? Como você se vira ao perceber que ainda duvidam da sua capacidade? Como sobreviver a uma sociedade que não te dá um espaço por você ser ou pensar diferente? E o que acontece quando o que você mais ama fazer e realizar é tratado com desdém? Você fica ou vai embora?  

Ontem eu arrumei as malas para ir. Eu quis desistir de tudo. Da vida, da alma, das pessoas que amo e daqueles que me têm como uma inspiração. Que controverso, não é? Uma inspiração às vezes não desiste. Elas ganham.  A cada segundo eu me dava uma desculpa para não desistir. Hoje eu tinha que ir para o Muay Thai e eu já tinha pagado as aulas. Não podia desistir das aulas e muito menos da turma que ainda não sabia o meu nome. Hoje eu também tinha que terminar de assistir uma série para comentar com alguns amigos e... Com quem eles iriam rir e onde achariam uma amiga que vive de desistências, mas torna tudo bonito e engraçado? Eu não podia desistir de ser essa amiga.

E o meu cachorro? Quem iria parar de fazer qualquer coisa para coçar aquele bucho estilo "A Grávida de Taubaté"? Eu não podia desistir dele também. E quem iria rir com a minha mãe sobre os nossos micos ou brigar com ela por esta assistindo TV FAMA e fazer ela mudar de canal? Eu tinha que ficar para mudar o canal.


Todos os dias eu procuro uma desculpa para ficar até tudo “ficar bem”.  Todos os dias eu desfaço as malas e me seguro firme. 

28 janeiro 2017

AS COSTAS DELE

Ele é um mistério para mim e ainda não decidi se devo dar dois passos à frente, me antecipando na descoberta do que quero saber ou ver. Foi platônico? Eu não sei dizer o momento exato em que o olhei e nos vi suando.

Não é amor, não é romantismo. Pela primeira vez, escrevo claramente que é desejo. É mais forte que a postura de boa moça que a sociedade espera de uma mulher do século XXI. Como ele ficaria sem a camisa surrada? Qual seria seu olhar ao perceber que estaria jogando a minha coxa esquerda em seu quadril para aproximá-lo mais? Ele fala sorrindo. Será que beija sorrindo também? Será que forçaria meus pulsos ao segurar com apenas uma mão? Consigo imaginar a tatuagem no meu pulso esquerdo sendo esmagada por suas mãos. O sorriso petulante estaria ali, tenho certeza.

Os movimentos seriam sentidos, sincronizados, alternados e... O sorriso, aquele petulante, estaria ali. A sua voz sairia rouca ao me perguntar algo, eu iria me explicar ou começar a falar demais. Talvez ouviria um “me beije” ou teria os lábios - marcados de mordidas - esmagados por seus lábios.

É engraçado perceber que não preciso saber da vida dele, rotina ou com quem se envolve para encará-lo. E apesar de perceber que ele não é notado, isso me basta.  Eu só queria ver as suas costas suadas, o sorriso no canto da boca, a respiração acelerada e como agiria quando eu levantasse da cama sem lhe dizer nada para ir embora.


E eu queria ver aquele olhar divertido, de quem está diante de alguém que impôs barreiras oportunas para deixar claro 'sem explicações, garoto. A gente se ver por aí'. Eu quero ver aquele olhar pensativo tentando adivinhar os pensamentos de uma garota pegando fogo.

14 janeiro 2017

Calincka e o Jab do Muay Thai


– Me leva Senhorrrrr.

Na virada de 2016 para 2017 eu fiz uma promessa e, por incrível que pareça estou cumprindo. Me matriculei no Muay Thai e só sabia que precisa de luvas para boxe, socar um saco de areia e receber um  cinturão de ouro.

Se a vida não fosse difícil não teria graça e nem cor, isso vale para a arte marcial tailandesa: o Muay Thai. Eu pensei que iria ser SUPERRRRRRRRRRR simples bater em algo e depois meditar. A minha vontade de desistir começou no primeiro dia de aula com o alongamento que parecia ser uma preparação para o inferno. Quando começou o aquecimento eu lembrei que não dava para descer as escadas porque já tinha pagado a mensalidade. Eu esperei em todos os segundos a minha alma sair do corpo para observar o pessoal correndo, fazendo abdominal, correndo de lado, mais abdominal, correndo batendo nos joelhos... MEU DEUS, O QUE EU ESTAVA FAZENDO ALI? É claro que eu lembrei da promessa, do valor das luvas, da paciência do professor e pensei “dessa vez não tem como dizer que um parente morreu porque o celular está longe”.

Fui empurrando o treino com minha barriguinha saliente e fui apresentada aos golpes do Muay Thai. Eu fazia os movimentos sem sincronia, olhava para o meu reflexo no espelho e via um caso perdido. Havia o fato de que eu estava em um ambiente hetero – eu não tenho certeza, mas eu gostei. E muito, mas só ali – e lá estavam meninos lindos presenciando o meu suor e os momentos em que me joguei no chão pedindo a Deus para me puxar. Na terceira aula eu já sabia alguns movimentos e golpes aplicados no Muay Thai, mas isso não significava que eu já tinha a minha dignidade de volta naquele local. As pessoas começaram a me reconhecer. “A menina de Fátima Bernades”, eu era filha da apresentadora e nem sabia. Nunca chegou pensão alimentícia na minha contar para comprar várias “brusinhas”.


Na minha sexta aula o professor nos convidou para um campeonato que é realizado em Petrolina-PE: o Luvão. Com respeito pedi ao professor para dar um depoimento. Eu sei que ali não era grupo de autoajuda, mas precisava falar. Comecei a falar que em vários momentos eu quis desistir. Contei que há dez anos eu não amarrava o cabelo por não saber lidar com o fato de poder ser observada e todos os dias eu estava naquele local sem maquiagem. Com olheiras, boca ressecada e com a franja pingando suor. Eu percebi que tinha acertado um golpe fatal em uma das minhas limitações sem luvas, sem usar o Jab – soco impulsionado frontalmente – sem querer desistir. É cedo, mas eu me sinto assim: http://migre.me/vSs14.

11 julho 2016

A pausa

Eu simplesmente não conseguia escrever. Alguns acreditam que seja um bloqueio criativo, mas eu sabia que era mais. Acreditei que não conseguiria mais escrever e expor o que eu sentia em um mero texto. Rústico, sem lapidação e brotado do medo. É assim que volto a escrever.

Em algum momento  acreditei que não conseguiria mais escrever e compartilhar para e com as pessoas, mas como? Como não escrever se é o que sou? Sou feita de metades, metade escrita e a outra partida. O medo de desistir impulsionou o que tenho mais de belo: estas palavras e pensamentos. É bom sentir que algo está escapando de você porque é neste momento em que lutamos de verdade. Reivindicamos o que é nosso, nos agarramos ao fio da esperança para que nada escape.  Eu não deixaria isto acontecer. Não mais.

É claro que eu precisava acreditar em mim e no que queria.  Ninguém poderia fazer isto por mim e ouvir “você consegue” sem realmente acreditar.  Algo que não se deve fazer ou sentir. Impedida de estacionar no meu bloqueio criativo, ouço claramente a minha intuição e sigo-a. Como? Eu sabia que precisaria primeiro chorar tudo o que tinha para chorar. Lavei a alma ou foi a alma que me lavou? Eu comecei a repetir para mim mesma que era normal ficar sem escrever. Alguns artistas passam anos sem produzir algo novo por acreditarem no “bloqueio criativo”, então eu fiaria bem. “São só algumas semanas, Calincka.”

A todo o momento acreditei que precisava sentir inspirada, mas eu não procuro a inspiração, apenas permito que ela me encontre em qualquer tempo e de qualquer forma. Ela sempre me alcança, creio.  Desta vez ela me alcançou depois de semanas porque eu não consigo me obrigar a dizer algo. Eu cultuo silêncios também.


A minha mente estava preocupada em que caminho seguir depois de TUDO. E o TUDO são semanas de angústias por desenterrar antigos segredos e medos. Por fim, estou de volta porque a minha mente e alma não são prisioneiras, não são feitas de neblina para não serem vistas claramente. Libertam-se para que a evolução possa me alcançar. 

01 junho 2016

Match com o amor próprio

Passarei o Dia dos Namorados sozinha. É óbvio que  eu gostaria de receber mimos, declarações bregas, ursos, sair para jantar ou ganhar um balão em formato de coração.

Eu não sou aquelas mulheres que torcem pelo fim do seu relacionamento por estar sozinha. Às vezes eu sou a maior fã des casais porque alguns acabam sendo uma inspiração para mim. Poucos sabem, mas quando terminam estão terminando comigo também. E eu sofro junto também. É, eu me apego aos casais e principalmente aos de séries. 

Estou sozinha porque não exijo muito ou porque precisam ser belos, recatados e do lar. Estou sozinha porque não consigo paquerar, sempre serei insegura porque acabo comparando a minha aparência com a de Megan Fox. Eu desisto antes de tentar, eu estrago o momento perfeito ao perguntar se eu falei algo errado. Eu afasto antes de começar ou avanço com um exército de inseguranças e medos. Ao terminar o encontro eu digo ‘adeus’ mentalmente porque eu passaria a noite chorando ao receber o ‘adeus’ primeiro. Eu estou sozinha porque o meu coração anda adormecido, porque eu acho que teriam vergonha de me apresentarem em almoços de famílias, porque eu sempre complico tudo e por pensar “não está olhando para mim, há mulheres mais bonitas que eu aqui”.

Eu não nasci com as inseguranças e o medo. Eu desenvolvi por causa de frases maldosas. E eu continuarei nesta condição porque me falta coragem ao pensar que posso ser rejeitada outras vezes. Então eu me protejo com a solidão. Mas, leitor, eu não gosto de me sentir sozinha ou pensar que estão me fazendo de piada (leia-se o primeiro encontro) mais uma vez. Não estou reclamando porque eu tenho que estar me relacionando com o amor próprio.  Dei match com o amor próprio, mas não conversamos. Ele espera que eu mande uma mensagem, mas eu não consigo. O que posso dizer? Quer marcar um dia para você me ensinar a ter você? Quer marcar um dia para você me pedir em namoro? Quer marcar um dia para eu acreditar que sou maravilhosa, mesmo quando dizem o contrário, e engraçada?

Dizem que o “meu cara” está por aí. Se for verdade, que me encontre logo porque está frio e eu queria ter alguém para abraçar sem explicar o motivo do abraço.







29 maio 2016

A culpa não é da vítima

A CULPA NÃO É DA VÍTIMA.  A CULPA NÃO É DA VÍTIMA.  A CULPA NÃO É DA VÍTIMA.  A CULPA NÃO É DA VÍTIMA.  A CULPA NÃO É DA VÍTIMA.  A CULPA NÃO É DA VÍTIMA.  A CULPA NÃO É DA VÍTIMA.  

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10 maio 2016

Liberté

Fiquei certo tempo sem escrever porque precisava saber como eu estava. Precisava saber se havia mágoa, raiva ou dor por causa das últimas semanas e meses. Havia algo, era leve e não me assombrava mais. A liberdade estava sorrindo para mim.

Eu pouco escrevia sobre a escola, não queria lembrar-me de suas cores, do hino, das orações que pediam para os alunos rezarem para dar início a uma manhã com vários tipos de torturas psicológicas realizadas por colegas de sala. Por muito tempo eu guardei o que doía para disfarçar com alegria, bom humor, gentileza e histórias. Por muito tempo eu guardei, mas hoje eu escrevo me sentindo liberta. Fecharam-se várias portas diante de mim durante a adolescência e hoje não sei por qual janela passar... São muitas e eu agradeço. Eu preciso de concentração para ter a certeza de como estou trilhando o meu caminho, mas eu tenho uma boa perspectiva do que virá.

Eu passei semanas refletindo após relatar, em rede nacional, o bullying que me perseguiu até o momento do meu “ei miga, vamos parar porque eu não tenho mais dezessete anos e nem você”. Fiz várias escolhas dentro de uma semana e a mais bonita foi ficar e lutar por todos os que não possuem voz, por todos que me apoiaram e principalmente por mim mesma. Eu estava lutando para me libertar de um passado que não me atrevia verificar. Por muito tempo eu fugia de rostos na cidade, não frequentava alguns lugares e fingia que não ouvia alguns chamando o meu nome. Mas quer saber? Eu não tenho mais medo e vergonha de dizer que a escola foi um dos piores momentos da minha vida. Eu precisava passar por tudo aquilo para me transformar no que sou hoje. Como sou? Linda, inteligente, intensa, criativa, engraçada, corajosa e de humanas!!!


Olhe, eu consegui dizer pela primeira vez em um texto que: acho-me linda. E eu abri um portal (momento séries) para que todos os demônios saíssem e ficar longe de mim. Eu consegui realmente me livrar da raiva, da mágoa e da tristeza que sentia por não ter uma história legal sobre o ensino médio para contar. Mas eu terei outras histórias com muito “micão tour” e gostosas gargalhadas para compartilhar com vocês. Me aguardem. 

Ah, esqueci de falar “INHAAAAAAÍ PESSOAL”.

07 abril 2016

CARTA ABERTA A CAMILLA CRATEÚS

 Oi minha irmã, você sabe o que está acontecendo? O ensino médio voltou. Eu fui tratada no ensino médio como se eu não devesse existir. Por não estar dentro do padrão de beleza da sociedade e dos colegas que estudaram comigo. Eu não podia dividir a minha dor com mainha e com painho porque eles estavam tentando recomeçar depois da sua partida.

Eu só queria contar, sabe? Eu queria que eles soubessem o que estavam fazendo comigo no colégio. O engraçado é que eles foram ao seu velório. A TURMA ESTEVE NO SEU VELÓRIO. Eles me abraçaram e rezaram um “PAI NOSSO” segurando a minha mão. Eu não queria fazer nada disso, mas painho estava chorando e eu nunca o tinha visto chorar. Então eu pedi forças para conseguir ir até o final do seu enterro sem expulsar ou partir para agressão física.   Eu pensei em nossos pais e pensei que eles até me sedariam. Os anos seguintes me fez sentir inveja de você. Você estava em paz e eu também queria o mesmo. Eu queria sua paz eterna, eu precisava. Eu lanchava no banheiro e acho que você sabia. Todo o dia levantava da cama para ir ao inferno na terra e pensava “enterraram a filha errada”. Todos os dias eu ouvia palavras degradantes e um dia eu decidi me enforcar. Não deu certo.  Foi você que fez mainha voltar para pegar as chaves? Se sim, obrigada.

Eu passei a usar outra forma para sair do colégio. Eu não estudava. Talvez o professor de matemática ache que sou burra de verdade. E então, me colocaram na “aula de reforço”. VOCÊ É INSISTENTE CAMILLA, AVE MARIA. QUE INSISTÊNCIA DE ME FORÇAR A TIRAR NOTA BOA. Obrigada.  Eu  também não falei nada porque eu não queria ser a “coitadinha”.  E NUNCA SEREI. Mas eu queria ser esquecida. O que eu fiz Camilla? Porque a minha aparência incomodava tanto Camilla? Nem em forma de desenho eu entenderei. Eu saí do ensino médio e chorei de alegria. Passei em Jornalismo em 2010 e mudei a minha aparência. Emagreci 25 kg. Mas ainda doía, sabe? Ainda era doloroso lembrar-me de pessoas as quais nunca humilhei. Eu substituí os pensamentos suicidas com a faculdade. Camilla, você acompanhou o meu relacionamento de quatro anos? Se sim, saiba que eu vivi aquela aventura por mim e por você. Mas saiba que reencontrei o seu namorado de adolescência. Ele está orgulhoso por minha coragem. E isto basta.  

Quando o relacionamento acabou eu pensei que nunca mais iria ser amada. As inseguranças voltaram. E mais uma vez eu tentei pôr um fim na minha existência. Não por ele, mas por medo de ser verdade tudo o que me disseram no ensino médio. Eu superei com ajuda psicológica, dos amigos e dos familiares. Eu fiquei em paz viva. Mas eu engordei, no final de 2014 e 2015, porque descobri ter tireoide. Eu sabia que não era a minha culpa e sim do meu corpo. E você sabe, Camilla, que não conseguia dar entrevistas, sair em fotos de corpo inteiro e  arriscar a conhecer outras pessoas. Conhece meus amigos? Eles são lindos, trabalhadores, inteligentes e lutadores. Estão comigo, como você.

Eu não sabia que o ensino médio voltaria. Eu não sabia que teria que ler coisas horríveis ao meu respeito, mais uma vez. O PASSADO ME FAZENDO ARQUITETAR MAIS UMA FORMA DE QUERER MORRER. Já havia um plano, Camilla. Quando li tudo, eu já tinha um plano. O DESABAFO NO MEU PERFIL ERA UM ADEUS. Eu não queria passar por aquilo novamente e estava tentando explicar o motivo. MAS VOCÊ CONSEGUIU QUE A PUBLICAÇÃO VIRALIZASSE E SAÍSSE DO MEU CONTROLE.

Me vi amparada. Me vi querida. Me vi sendo apoiada e eu parei para refletir. Seria egoísmo, seria injusto acabar com a dor com tanto apoio e carinho. Seria anormal, doentio, incorreto e infeliz. Eu poderia punir os algozes tirando deles a reputação de “boa mãe”, “boa aluna”, “bom filho”, “bom marido” e “bom amigo” continuando viva. Eu descobri que você burla todos os meus planos, não é? Você é a menina que roubava planos ruins. Obrigada. Agora eu  cuidarei do meu corpo, mente e coração. O resto? Eu não me importo porque não há coisa pior que saber que não terei sobrinhos,  que não terei você no meu casamento ou gritando meu nome no meio da platéia enquanto eu ergo o meu diploma, livro, filhos. O QUE FIZERAM COMIGO NÃO É NADA QUANDO PENSO QUE VOCÊ FOI EMBORA. Eu te amo. Eu ficarei viva e te prometo que todo apoio que obtive será recompensado com a militância e ajudando outras pessoas. Eu te amo.

24 março 2016

O Cirque du Soleil e a mídia

O Cirque du Soleil é uma companhia circense privada. Fundada em 1984 por dois artistas de rua, Guy Laliberté e Daniel Gauthier, a companhia apresenta espetáculos inovadores, performances com histórias que emocionam, além de despertar várias sensações, ao mesmo tempo, por todo o seu corpo e mente.

Está parecendo que eu já assisti a um espetáculo do Cirque du Soleil, mas  infelizmente eu nunca tive esta oportunidade ou sorte. A primeira vez que vi um vídeo mostrando trechos de várias performances da companhia me emocionei e lembro-me de pensar “meu Deus, nem forró eu sei dançar... Imagina fazer o que estes artistas fazem”. É, eu não sei dançar forró e não sei se este fato é bom ou ruim, mas vamos voltar a falar sobre o Cirque. Não há picadeiros e o grupo contém artistas de quarenta nacionalidades, a trupe possui belíssimas trilhas sonoras e algumas fantasias parecem ser tiradas dos contos de fadas. Cada espetáculo tem música ao vivo e te faz pensar “como seria se eu fizesse parte do espetáculo?”. Com certeza seria lindo. Viajar pelo mundo levando ALEGRIA.

Mas eu faço parte de um espetáculo que não é inovador, que explora a dor, a população carente e contam suas histórias como querem ao ponto de inverter e inventar, alienar aqueles que não possuem acesso a outras fontes de informações tornando-se, eternamente, manipulados. É o espetáculo da mídia. Percebo a todo o momento um picadeiro nos telejornais, as performances são de fazer você agradecer a Deus por não conhecer o artista performático que é treinado para te “informar” e fazer você acreditar.  Mas não se engane, eles são pagos para acreditarem também. Existe algo mais triste que receber dinheiro para acreditar em algo que não existe? É como ser paga para amar alguém que você nunca amaria.

É um espetáculo torturante e vergonhoso. Pobre por sua política interna, entediante ao perceber que as expressões no rosto dos performáticos da mídia querem convencer que a notícia é, em sua totalidade, verdadeira e que jamais seria alterada. Eu entendo estes “artistas”.  Há contas para pagar, impostos, filhos para sustentarem. São trapezistas e bailarinos do pior espetáculo que há, mas eles possuem escolhas. Todos possuem escolhas. Afinal, tivemos as mesmas disciplinas na graduação, ouvimos os professores criticarem afiadamente a manipulação e sensacionalismo nos meios de comunicação.


Eu sinto pelo ingresso que você paga para ser mal informado ou enganado. Eu sinto muito por cada notícia editada e com informações omitidas. Você jamais verá o que é um espetáculo de verdade até conhecer o Cirque Du Soleil.  E todos os dias você estará sendo massinha de modelar nas mãos da mídia. 

14 março 2016

O que restou de nós

Era uma paisagem que me fazia respirar com alívio. O ar tinha cheiro de terra, trazia ventos que brincavam com meus cabelos e arrepiava a minha pele. Aquele lugar tornou-se meu porto seguro mais rápido do que eu imaginava.  Mais rápido do que deveria.

Os abraços me envolvendo mostrava o quanto eu era querida ali. E por minutos, que pareciam horas, ficávamos abraçados olhando os morros e serras de Minas Gerais da sacada da silenciosa casa. A nossa bolha era impenetrável. Nenhum problema nos atingia quando estávamos juntos, mãos entrelaçadas, pernas misturadas e risadas que pareciam músicas. Ele possuía um lindo sorriso, as palavras sempre foram calculadas ou omitidas. Ele se comunicava com gestos.

A nossa comunicação acabou. Gestos não bastavam mais. Ele precisava de mais. Eu precisava de muito mais. Precisávamos do mundo. O mundo o ganhou, me senti uma perdedora. Fracassei. Ou a distância fracassou? O “para sempre” fracassou? Quem perdeu? Creio que  ambos ganharam.  Novas rotas, planos, sonhos, rotina, amigos, novos abraços e beijos. Não é preciso dizer que o amei e lembrarei-me da nossa bolha com um sorriso estampado e saudosamente. Mas eu não o conheço. Há tantas mudanças que o que amei não existe mais. Eu não o reconheço mais e isto é assustador e belo ao mesmo tempo.

Assustador porque entendo, hoje, que amei algo que não vive mais. Belo porque o que restou de nós ainda existe em forma de lembranças felizes, cartas, uma camisa surrada, livros e um urso. Superar não é se livrar das lembranças e presentes. Superar é olhar para o que restou e saber que há uma vida esperando por nós, um mundo nos chamando e outros lugares para serem definidos como um porto seguro. O que restou de nós não pode ser apagado porque faz parte do crescimento emocional, fez parte do meu grande e lindo percurso até aqui.


Eu ganhei. É, ganhamos. Eu ganhei um novo recomeço, novos amigos, eu tenho o mundo para conhecer, pessoas para encontrar e inspirar. E se você acha que nunca amará mais niguém... Engana-se, porque não podemos depositar tudo que temos em uma única pessoa, nunca conseguiremos. Amar transcende todos os limites. Ele encontrou outra garota e eu encontrei um novo recomeço. O recomeço que eu abracei e me entreguei, um oceano de possibilidades e surpresas me espera. Nos espera. 

01 março 2016

As tentativas

Antes de contar, quero que saibam que apaguei três vezes os parágrafos que digitei. Pergunto-me se isto, a minha história, vai me prejudicar profissionalmente ou amorosamente. Pensei bastante antes de escrever, mas preciso compartilhar. EU NÃO SEI. TALVEZ EU DEVESSE ESCREVER AS MATÉRIAS QUE MEU “CHEFY” MANDOU.

Já estamos aqui, não é? E eu sei que alguns amigos dirão que eu não deveria ter escrito, mas esta história faz parte de mim, ela será carregada comigo, me acompanhará como uma sombra. Eu nunca tive autoestima, desde a escola, nunca me achei bonita porque muitos não achavam. Não conseguia dizer uma qualidade sobre mim. Na verdade, eu não sabia que tinha qualidades. Todos os dias, por todos os anos na escola, eu levantava da cama e chorava no banho porque sabia que iria ser maltratada por colegas. Apelidos,  omissão de professores e coordenadores e humilhações faziam parte do meu cotidiano. Eu queria acabar com a tristeza que sentia, a dor, as vozes que repetiam o que nenhuma garota merece ouvir.

Eu tentei prosseguir, mas eu estava tão cansada. Eu só queria dormir. Se eu dormisse tudo se resolveria. As pessoas não precisariam ter pena de mim, me  humilhar ou me ignorar por não ser a mais bonita do colégio. Aos 13 anos eu tomei 27 comprimidos desconhecidos por mim. Eram comprimidos para dor que a minha irmã utilizava. Eu dormi, mas acordei depois  que  uma vizinha e minha mãe colocaram álcool no meu nariz. Inalei e chorei muito. Mainha se culpava, eu acordei mais triste. Aos 14 anos perdi minha irmã e tive que sobreviver com a tristeza e a dor da perda. Os planos de me curar da tristeza foram embora como ela.

No ensino médio me interessei por garotos que me fizeram virar “a escala de feiúra”. Eu era o termômetro que os meninos utilizavam para dizer se uma garota era bonita. Quantas vezes lanchei no banheiro? Todos os dias.  Quantas festas no colégio eu fui? Nenhuma. Quantas vezes eu pedia chorando a mainha para ficar em casa? Todos os dias. Mas eu não dizia o motivo, eu não podia medir a dor dela com a minha. Vivi no automático por mais sete anos, até me apaixonar. Entrei na faculdade, fiz amigos, namorei, era considerada engraçada, amiga, generosa... Com o término, eu voltei todas as casas do jogo e perdi a segurança que tinha conquistado. Eu voltei para o fundo do poço e ganhei cortes profundos nos pulsos. Mais uma vez, minha mãe estava lá para estancar o sangue e me assistir a levar 17 pontos no pulso esquerdo e 9 no direito.



Eu achava que morrer era a solução. Até conhecer uma ciranda de amigos (gays) que me fizeram ver o melhor de mim. ELES ACREDITAM EM MIM. APOSTAM EM MIM. APONTAM OS ERROS. ELOGIAM OS ACERTOS. PRECISAM DA MINHA ALEGRIA. Ele s ressuscitaram a minha alma, a minha alegria, a minha criatividade. Eles fazem parte das minhas orações e nem sabem que eu faço preces. Eu só posso dizer: obrigada.  

07 fevereiro 2016

Caramelos

Pode-se dizer que 2016 começou me atropelando. Literalmente. Preferi não falar muito sobre o acidente por dois motivos: torpor e o fato de tentar me esconder de quem me atropelou. Calma, explicarei.

Estava menina Calincka, bem rainha do proletariado, atravessando a faixa de pedestres para pegar transporte público (queria estar pegando Adam Levine) e um carro para. Um motoqueiro segue e espero ele passar para continuar e: ROM POM POM ROM POM POM MAN DOWN! Foi tão rápido que eu só percebi que estava sentada no asfalto quando um homem  L I N D O me sacudiu. O que eu pensei? De longe vi meu ônibus e pensei “meus Deus perdi meu ônibus”. Coisa de pobre acidentado. A gente pensa em qualquer coisa, menos em milagres. A segunda coisa que eu pensei foi “que homem lindo”. A terceira foi “que homem lindo”. A quarta foi “que homem lindo”.

Depois de dez minutos sentada no asfalto, eu consegui perceber o que aconteceu. Tremia mais que criança fazendo escândalo no shopping e com medo de me mexer. Eu fui arremessada e bati no capô do carro, caindo sentada. Não sentia nada. Nem as pernas. Quando o cara que me atropelou perguntou meu nome e onde doía eu só consegui dizer: OIEEEEEEEEEE. SÉRIO. Depois falei meu nome e o que estava sentindo. Ele estava tão desesperado que fiquei com vergonha de ter sido atropelada. O TRÂNSITO PAROU. PESSOAS DESCERAM DOS CARROS PARA ME VER, O CARA LINDO QUE ME ATROPELOU SENTOU NO ASFALTO COMIGO E SEGUROU MINHA MÃO (e eu já estava nos shippando, já estava me perguntando quanto estava a passagem para Fernando de Noronha para a gente viajar), pessoas perguntavam o que aconteceu, pessoas diziam “ela está paralisada” e estava mesmo. Estava com medo de tentar mexer as pernas  e perceber não conseguia. A gente pensa que nunca vai acontecer. Nunca com a gente.

O cara não saiu do meu lado e ficou conversando comigo enquanto esperávamos os bombeiros (fui atingida na coluna e quadril, acharam melhor chamá-los) contou o que fazia, onde trabalhava, que se mudou de Brasília há um mês, casado e tinha um bebê chamado Murilo. Eu também conversei com ele e pedia desculpas. Ele me pedia perdão. Me levaram para o hospital, medicação, limpeza nos ferimentos, injeção, Raio X e: eu estava bem. Mainha foi chamada e quando ouvi a voz dela... Eu acho que nunca irei sentir tanto alívio como senti ao ouvir a voz dela. Meu porto seguro. Meu Sense8 no mundo.

O cara que me atropelou pediu perdão para a minha mãe, ele quase chorou. Mas não o culpe leitor, a faixa estava apagada, ele se mudou há um mês e eu deveria ter olhado para a esquerda quando a moto passou. Enfim, senti medo. Tive crises de choro e desativei as redes sociais para não me encontrarem. Eu queria esquecer, mas me lembrei que é escrevendo que esqueço. MAS A MELHOR PARTE É QUE: na hora do acidente eu estava com saquinho de caramelos na mão e eles ficaram espalhados no asfalto.


SIM, OS CURIOSOS CATARAM MEUS CARAMELOS E NÃO ME DEVOLVERAM. 

11 janeiro 2016

A menina que não tinha destaque na cidade

Com dois fins de semanas seguidos indo para uma boate, da cidade, afirmo com toda a certeza do infinito que: não vou mais. Calma leitor, não me desagradou, não foi ruim, não foi chato. FOI MARAVILHOSO, mas o bolso chora. As juntas do meu corpo doem, meus olhos sangram de tristeza VENDO VOCÊ BEIJAR OUTRAS BOCAS™.

Um furacão de acontecimentos para organizar dentro de um único texto. Vamos lá! Primeiro, há apenas uma boate na cidade. Se você aparece dois fins de semana seguidos... As gays viram para você e perguntam “MULHER, TU SÓ VIVE AQUI É?” e você quase enfarta com a pergunta porque SÓ ESTEVE – EM TODA A SUA VIDA NO PLANETA TERRA – TRÊS VEZES EM UMA BOATE. Outra coisa é que as três vezes eu fui OBRIGADA. Porque o amigo gay queria ir para pegar alguém que estava cobiçando. E DENTRO DESSAS IDAS ELE NÃO PEGOU NENHUM. Não se preocupem, já passei a minha faixa de miss trouxa para ele.

Não, eu não gosto de boates. Me desculpa, mas eu só fui obrigada mesmo. E porque é boate para as gays. E festa com as gays... NOSSASINHORA. TUDO DE MARAVILHOSO. Sim, eu uso “as gays”. Se acostuma. Outro fator é que os amigos estariam lá. A CIRANDA™. Para quem é praticante de paraquedismo e caiu neste blog/texto sem querer... A ciranda é composta por vários amigos praticantes do amor ao próximo, principalmente ao semelhante, e que usam o Grindr. Traduzindo: tudo gay. E como são muitos, dá para um segurar na mão do outro e fazer uma ciranda.

Deslocamos-nos para a boate e nada de “NOSSAAAAAAAAAAA” no início da noite, mas quando começou a lotar um pouco... Ferveu. Um amigo estava de bem com a vida, desacompanhado e do nada chega um cara e gruda nele. GRUDOU MEIXMO. GRUDOU MUITO. Passaram a noite praticamente casados, MAS AÍ MEUZAMIGOS... SEMPRE TEM UMA GAY DESTRUÍDORA DE LARES, NÉ? Chegou uma gay que dizem ser “cobiçada” pela cidade e acabou o casamento do meu amigo com o carrapato humano. Fiquei preocupada porque o cara se desgrudou e foi “atacar” a gay cobiçada. LITERALMENTE VENDO VOCÊ BEIJAR OUTRAS BOCAS™. Acontece. Sou especialista neste patamar, mas o melhor foi ver o cara chorando pela gay cobiçada. Fiquei paralisada, quase indo abraçar a gay chorona e dizendo “eu te entendo, miga”. MAS EU ESTAVA 50% ÓDIO E 50% TREMEDEIRA DELE POR DEIXAR MEU AMIGO SEGURANDO UMA TORTA DE CLIMÃO.

O que eu fiz? O que qualquer pessoa normal faz. Criei uma história com bonecas narrando a situação. Bem básica. Vista só por dois milhões de pessoas. Só isso. Demos gostosas gargalhadas. E eu pensei “pronto, não preciso mais aparecer na boate. Só ano que vem agora”. Coitada de mim porque O MEU AMIGO QUE ME OBRIGA A SER CASAMENTEIRA começa arrastar asa para um cara lindo. LINDO MEIXMO. Bati o pé que não ia, mas aí uma amiga sai espalhando que vai comemorar o aniversário na boate e vai travestida (e ela é mulher, viu?)... Eu tinha que presenciar. Fui. Mais uma vez suei, fiquei arrasada porque os meninos que eu queria na minha lista de “metas” estavam se agarrando com outros homens... EU NÃO SEI COMO AINDA FICO INCONFORMADA E SURPRESA POR VER OS HOMENS QUE EU QUERIA DANÇANDO ATÉ O CHÃO AO TOCAR BEYONCÉ.

O bom da noite são os diálogos. E ver que as músicas de Kings Of Leon não foram remixadas. Bem, há algumas pessoas que me conhecem por causa deste blog e as postagens “engraçadas” nas redes sociais. Eu tento passar por despercebida. Eu juro. O meu objetivo de vida não se resume a ficar rica ou conhecida pela internet. A rede mundial de computadores é apenas uma plataforma para impulsionar o que gosto de fazer. ESCREVER. ESCREVER PARA PROPORCIONAR GOSTOSAS GARGALHADAS. E chororô, porque a vida não é uma novela que garante o final feliz. E ao explicar isso a você, leitor, eu repito o que ouvi na boate. “VOCÊ NÃO TEM DESTAQUE NA CIDADE.” Ao contrário de um amiga, não sou e nem quero ser "famosa, famosíssima". 

Gente, a minha cidade já tem uma Ivete Sangalo. Eu não quero ser Ivete Sangalo. Nem posso. DEUS ME LIVRE DE DESTAQUE NA CIDADE. Não tenho psicológico para sair fazendo a “vereadora” para as pessoas. Não tenho psicológico para ver ex-colegas do ensino médio fazendo o simpático comigo. EU NEM TENHO PSICOLÓGICO. Deixe-me aqui, quietinha. Gritando no blog e quem sabe folheando um livro com meu nome.



02 janeiro 2016

Não estou dizendo adeus

Eu amanheci pensando em você. Eu não penso em você com tanta frequência, é errado? Lembro em algumas situações que não me deixam fugir das lembranças. É, eu te amo. Amo. Eu fico me perguntando como seria a nossa virada de ano, como se vestiria ou o que faria no último segundo para surgir 2016. 

Eu abracei meus pais e fugi para a bolha de proteção, antes que me lembrasse de você e onde estava. Eu sou uma covarde? Espero que não. Eu vesti o que sempre me deixa confortável e resolvi não beber. Muito. Eu precisava refletir. Precisava pensar no ano bissexto e como iria sobreviver a ele sem você. Mais uma vez, sem você. Por algum motivo ainda acredito que você irá entrar pela porta sorrindo ou falando da sua promoção no trabalho. Há milhares de dias entre nós e eu ainda não te disse “adeus”. Eu não poderia.

Eu estou ouvindo a música que tocou no carro quando estava indo me despedir de você. Parece irônico, mas naquele dia tocava “Are they saying goodbye” de Ane Brun. Eu estava indo me despedir de você no dia 18 de Julho. Eu nunca pensei que iria ocorrer uma despedida porque, na minha mente, iria ficar tudo bem. Todos os problemas e complicações iriam ser resolvidos como um apagador tirando o giz branco no quadro negro.

Apagaram a sua existência na terra, mas não no meu coração. Você será sempre lembrada, Camilla. A cada natal e ano novo. Não podem apagar de mim a minha irmã e seus planos. Não pode apagar a saudade e muito menos arrancar de mim um “adeus”. Porque a cada gaveta revirada há um retrato seu, um bilhete em uma caixa  esquecida e o moletom que passei a usar. Feliz ano novo! Estou com saudades.



20 dezembro 2015

Precisa emagrecer




Não veste 36. O número do sutiã é 44 e ela não veste saia cumprida porque pensa estar parecendo capa de botijão de gás.  Ela? Ela não é um personagem. É real. Seus problemas com o corpo são reais. Não, eram reais.

A menina de franja já escutou muito nesta vida, talvez precise de outra vida para assimilar tudo o que já vivenciou. Escolheu uma profissão que joga com egos e exige um padrão de beleza inalcançável.  Ela prefere escrever, gritar, ficar atrás de uma tela de computador para não se sentir fora do “ideal”. O que é ideal? Um cabelo liso. Olhos claros. Um corpo magro e que possa ser admirado nas praias brasileiras.

E ela escuta “precisa emagrecer”. A garota percebeu que não se sentia incomodada com o peso a mais. O problema está em que se incomoda com o peso dela. Tanta preocupação em agradar que esqueceu o quanto é bonita a sua bunda, os seios fartos, o rosto e aqueles olhos em formato de canoa. Ah, como pôde deixar que te ferissem com frases delineadas de falácias? Tão bonita. Tão criativa. Engraçada e inteligente. Quente. Linda. Ela é você, você é ela. Nós.

Não, você não precisa emagrecer. A magreza está ligada a uma busca vazia: a beleza. Ela acaba sabia? A beleza pode ser enterrada a qualquer momento, a tua poesia neste mundo não será. Emagreça por você, para a sua saúde e JAMAIS para alguém. Emagrecer para teus amigos te elogiarem?  Você tem que ser elogiado pelo o que é e não como é. O teu peso pouco me importa, quero que faça meu coração acelerar e/ou me fazer suar na cama. Quero risadas e histórias emocionantes. Corta as piadas sobre o teu peso, responde na hora que não gostou. Responde que tu és maravilhoso. Isso é a única verdade diante de tanta preocupação alheia.

É teu corpo. As estrias possuem histórias de dor e alegrias. Emagrecer não é errado, errado é perder peso para se sentir aceito no mundo. Tem certeza que quer caminhar com os iguais? Com os que recusam a acreditar que alguém possa se interessar por quem não veste 36? Tem certeza? Digo-te do fundo do meu coração: eu não estou gorda. Eu estou feliz. Sofro de ansiedade e um distúrbio da tireóide. Em 2014 eu estava no meu peso ideal, este ano engordei e tive que ouvir de amigos “precisa emagrecer”. RÁ. RÁ. RÁ. RÁ. Provavelmente, em 2016 eu perderei o que ganhei. Perderei por mim, pela minha coluna que pode estar prejudicada por causa dos abundosos seios. Será o efeito sanfona. Talvez eu tenha sido a sanfona de Luiz Gonzaga nas vidas passadas.

“Tem um rosto lindo. Só precisa perder cinco quilos ou dez.” Não, você não precisa.  A pessoa que falou esta frase  precisa PERDER algo que ame. Para se ocupar com outros sentimentos além da perversidade. Não se mutile. Joga para fora este ressentimento e me chama para comer pizza. Não chora, não toma suco verde, não faz dieta louca para ter um corpo que essa sociedade vergonhosa quer. 

“Fulana vai na frente porque é mais gordinha”. Não, fulana vai pegar um ônibus e encontra com você lá.
“Acho que não fica bem em você.” Isso quem decide somos nós.
“Preciso emagrecer para ir à praia.” Não, você só precisa de dinheiro para conhecer as melhores praias.


Imagine que o corpo é um pote. Ele guarda a sua essência. Ele tem que ser cuidado para não quebrar. O importante está dentro deste pote. ACREDITE! 

22 novembro 2015

Antes dos 25



Escrevo ouvindo What’s Up da banda 4 Non Blondes  e me emociono com a letra, mas não deixo as lágrimas de gratidão caírem no meu café. O aroma preenche o meu quarto e fecho os olhos para inspirar esse momento.  O momento em que me despeço dos meus 24 anos.

Eu sei, quem faria um texto para despedir-se de uma idade? Eu. Eu faria. Estou fazendo. Aos quatorze anos, acreditei que jamais chegaria aos dezoito anos.  Achei que possuía a responsabilidade de preencher o vazio que a minha irmã deixou. Acreditei cegamente que era possível. Meu Deus, como eu estava enganada! Aos dezoito anos acreditava que não chegaria aos vinte anos. Sentia o mundo contra mim, sentia que não era aceita (por que as pessoas riam de mim no ensino médio? O que fiz para elas?), sentia que a minha existência era insignificante e realmente esquecia o quanto eu era importante e amada por meus pais e amigos. Aos dezoito anos eu continuava em busca do significado da vida. Uma busca perdida e desgastante. Uma busca inexistente.  Uma busca interrompida por não encontrar.

Aos vinte anos, achei que jamais passaria dos vinte e quatro anos. E foi no dois ponto zero que o meu universo mudou. Aos vinte eu experimentei o amor, experimentei orgasmos múltiplos, experimentei ser amada, elogiada, prender atenções ao contar histórias ou fazer comentários engraçados. Foi aos vinte que coloquei o meu coração em uma mala para entregá-lo em outro Estado.  Com vinte anos eu sentia que tinha o mundo em minhas mãos. E de certo modo, eu tinha. Eu me tinha, eu me permita. Vi amigos me traindo, vi alguns partindo, me vi como pilar mais resistente diante da vida e seus testes. E então, com um piscar de olhos, tudo mudou. TUDO. T – U – D – O . EU ME PERDI. ME ANULEI. E ANULEI OUTRAS PESSOAS DA MINHA VIDA. Com vinte e três anos perdi noites em claro ao tentar idealizar como seria se meus pais saíssem do piloto automático. Tentei imaginar a volta das pessoas que saíram da minha vida, tentei imaginar como seria se, aos vinte e três anos, o meu coração não estivesse quebrado. Não havia cola para esse tipo de restauração. Eu andava com um coração danificado e ninguém percebia. Eu deveria ter colocado com cuspe (acabei de pensar nesta possibilidade, mas já é tarde). Talvez desse certo. Pelo menos os envelopes de cartas ficam bem lacrados...

E com vinte e quatro anos chorei muitas vezes, fiz preces para que tudo ficasse bem, para prosseguir na “grande colina da esperança”. Foram tantas preces. “Hey, Deus o que está acontecendo?” E as respostas eram com o cri cri cri de grilos. Mais uma vez, pensei que  não passaria dos vinte e quatro anos. E então algo acontece, não com abóboras que viram carruagens ou roupas da Marisa que são transformadas em belos vestidos de época. O que ganhei se resume em uma frase: o poder de suportar e deixar-se ser acalentada por amigos. Prestes a completar vinte e cinco anos percebo o quanto sou grata por ter cicatrizes. Sou grata por tudo que conquistei, os amigos que cultivei e as gostosas gargalhadas que me presentearam. Não importa se completarei vinte cinco anos, não é o fim do mundo. É o rito de uma garota que transpira gratidão, é a despedida de um período mais complicado que equações. É o rito de passagem para o desconhecido.


Obrigada! A todos! A todos que torcem por mim e apoiam. Obrigada aos meus pais (momento de agradecimento no Programa do Faustão) que são tudo para mim. Obrigada a Camilla que me guia mesmo estando em outro plano. Obrigada aos leitores deste blog (sem as mensagens de vocês eu não conseguiria). Obrigada à Ciranda de Viados™, obrigada a Deus por ter criado Adam Levine e Adele, obrigada a quem inventou a cajuína, obrigada pelo Vendo Você Beijar Outras Bocas™ e a quem duvidou da minha capacidade. De coração, obrigada. É dançando em cacos de vidro que farei plié. 

15 novembro 2015

Umbuzada Sonora

Once Upon a Time (era uma vez em inglês), em um vale chamado “Vale do São Francisco”, um ‘BOSQUE’  conhecido por Juazeiro da Bahia. Juazeiro é uma cidade que transpira cultura, simpatia, ruas apertadas e festivais com música alternativa, folclórica e reggae. Bem, eu conheço apenas uma banda de Juazeiro. Ivete Sangalo é o nome da banda.

Deixando a brincadeira de lado, há bandas legais neste bosque encantado. Inclusive, tem um ano que passei a maior vergonha de todas as vidas ao conhecer uma banda juazeirense (leia-se Soda Solta). Estou me perguntando se a banda é de Juazeiro ou Petrolina, mas não importa... É farinha do mesmo saco. A diferença é que Petrolina tem Shopping e aeroporto. Mas Juazeiro ganha porque tem: I V E T E   S A N G A L O.  O assunto não é Petrolina versus Juazeiro, até porque não há rivalidade. Há amor. Eu nunca vi duas cidades tão maravilhosamente unidas e divididas por um rio e uma ponte.

O festival  ‘Umbuzada Sonora’ está em sua  6ª edição, aconteceu na Arena do Centro de Cultura João Gilberto em Juazeiro. Em cada edição,  o festival, nos fornece música de qualidade, independente e visibilidade para as bandas locais. Fornece também decepção amorosa, TOUR VENDO VOCÊ BEIJAR OUTRAS BOCAS™ e uns héteros que de longe parece hétero e de perto fala “INHAÍ”. Acho que estou esquecendo algo, mas é mentira. A gente nunca esquece quando vai sensualizar para o  boy e a namorada chega reivindicando a boca dele. SIM! COMEÇA AGORA, MAIS UM TOUR VENDO VOCÊ BEIJAR A SUA NAMORADA SEM GRAÇA™.

 

Combinamos com um pedacinho da Ciranda de Viados™ para ir ao festival e esquecer as mazelas que há no mundo e país. É claro que gostosas gargalhadas estavam chegando, principalmente quando a gente decide fazer a competição do falsete e  som para na hora. Olha só que coisa linda. É claro que gostosas gargalhadas iria acontecer quando fico secando o vestido dos outros e passo a mensagem errada. Moça, calma. Eu só estava decorando o modelo do seu vestido para mandar a minha costureira, Cida, fazer igual. NÃO PRECISAVA PERGUNTAR SE EU QUERIA A BALA DA SUA BOCA.

 

Eu fico imaginando Deus, lá em cima, comendo pipoca e me assistindo passar vergonha sem piscar. “Agora eu vou fazer a menina oferecer bala a ela. Kkkkkkkk”. “Agora eu vou colocar aquele cara bonito, que eu fiz, perto de Calincka para ela sensualizar. KKKKKKK.” E foi assim, que eu me apaixonei pelo cara bonitinho da festa. Quando eu falo que vou ‘sensualizar’, não é colocar dedinho na boca, dançar até o chão, jogar o cabelo. Eu só arrumo a franja, olho se o batom está borrado, arrumo os peitos dentro do sutiã e... ENCARO A PESSOA. E FICO ALI ESPREMENDO OS OLHOS POR CAUSA DA MIOPIA ( QUE DÁ O EFEITO DE QUE EU ESTOU PAQUERANDO). E foi neste momento em que a namorada dele nos pegou quebrando o nono mandamento da Bíblia. Não cobiçarás a mulher do próximo ou o homem. MUITO FÁCIL PARA DEU ESCREVER ESSE MANDAMENTO EM DUAS TÁBUAS PORQUE ONDE ELE ESTÁ NÃO TEM FESTIVAIS, FACEBOOK, INSTAGRAM, ÔNIBUS, ADAM LEVINE...

 

Sim, a namorada viu e puxou ele pelo braço e saiu desfilando com ele na minha frente. OSTENTOU O BOY DELA. CADÊ O ARREBATAMENTO NESSAS HORAS? O que tinha de sem graça... Tinha de FUNK OSTENTAÇÃO. Faltou chegar a mim e dizer “miga, é meu”.  AAAAAAAH, MAS VALEU APENA VER QUE EU PELO MENOS FAÇO O EFEITO DE AMEAÇA. Uma professora minha e uma amiga ficaram dando gostosas gargalhadas da situação, mas eu superei porque às vezes Jesus se disfarça de boy acompanhado para testar a nossa fé.  E ainda bem que tinha algo me esperando em casa. NETFLIX.




08 novembro 2015

O eco do racismo


Maria Júlia Coutinho, ou mais conhecida como Maju Coutinho, é jornalista e apresentadora. Recebo Maju todos os dias na minha casa ao assistir, o principal telejornal brasileiro, o Jornal Nacional da Rede Globo. Quanta simpatia ao apresentar o clima nas principais cidades do País! Taís Araújo é atriz, também, da TV Globo. Cresci assistindo a atriz em diversas novelas e muitas vezes em horário nobre. Já torci por um final feliz para as mocinhas que a atriz interpretou.

O que a jornalista e a atriz possuem em comum? A pele negra? A beleza? A visibilidade? O sucesso?  O cabelo Black Power? Gostaria que esses fossem os únicos fatos em comum, mas não é. Em setembro Maju foi vítima de comentários racistas na internet. Alvo de pessoas preconceituosas e que acham que a sociedade brasileira é 90% branca, cabelos loiros escorridos e com olhos claros. Será que estudaram história ou acham que estão em outro país? Se o padrão de beleza que eles procuram no Brasil forem este, para eles, eu tenho uma má notícia!

No início de novembro, a atriz Taís Araújo foi hostilizada com comentários racistas ao atualizar a foto do seu perfil no facebook. Em um intervalo de quase três meses, duas pessoas públicas foram discriminadas por sua cor e cabelo. Como ousam dizer que não há racismo no Brasil? Como ousam dizer que é vitimismo? Todos os dias o negro é vítima de preconceito na entrevista de emprego, no trabalho, na escola, na moda, ao ser confundido como bandido porque estava segurando a mão de uma mulher branca, ao ver que apenas crianças brancas são adotadas e até mesmo ao ver que a Barbie negra é mais barata que a loira. Somos negros. Somos mulatos. Descendentes de índios. Somos a mais bela mistura, temos cabelos lindos, sorrisos convidativos e temos o olhar que carrega a esperança de que um dia reconheçam que a cor da pele e opção sexual não importa e não faz a diferença.

Ao ver internautas em defesa de Maju e Taís Araújo, acredito que estamos em progresso. Um progresso lento, mas significativo em comparação aos séculos passados. E espero que o respeito à igualdade torne-se um vírus e contamine toda a nossa sociedade para que nunca mais precisemos ouvir o eco do racismo.


26 outubro 2015

A menina que colecionava combinações


Sentadas na praça de alimentação do shopping, tentando atualizar-se com os acontecimentos da vida após a separação da faculdade, duas amigas riem, reclamam e falam sobre homens. Parece roteiro de filme para pré-adolescentes, mas pode ser um dia. Vai saber, né?

As duas amigas saudosas gargalham com novidades pacatas, mas significantes. Em meio a tantos temas elas falam sobre um aplicativo de relacionamento e as conversas que foram obrigadas a presenciarem (arrastou a foto para o lado direito, agora aguente) ou finalizarem. Até que, infelizmente ou não, uma comenta sobre a existência de um outro aplicativo que anula as fronteiras do aplicativo de relacionamentos chamado: TINDER. OH, A TECNOLOGIA AJUDANDO A ILUDIR AS PESSOAS!!! COMO SE O SER HUMANO NÃO PUDESSE REALIZAR ESSA TAREFA SOZINHO!!! Impressionante como a minha curiosidade não tem um botão STOP. Acho que já me entreguei, né? Ok, já fiz revelações piores...

Acho que não é preciso dizer que baixei o aplicativo, ativei a localização falsa e já estava no: RIO DE JANEIRO. Critério de escolha? Nenhum. Começou sem critérios e depois evoluiu para apenas uma finalidade: DAR GOSTOSAS GARGALHADAS E CONTAR ISSO EM FORMA DE TEXTO. Sem ao menos piscar eu estava no Rio Grande do Sul entre as cidades: Santa Maria, Cachoeira do Sul, Bagé, São Gabriel... Até aí tudo bem, mas aí eu fui para outros Estados e depois fiz viagens internacionais com o TOUR DAS GOSTOSAS GARGALHADAS™. EU SEI, É LOUCURA. FOI LOUCURA. AINDA É, MAS A CADA COMBINAÇÃO COM HOMENS LINDOS... Eu só conseguia sorrir e me perguntar “Deus, o que está acontecendo?”. Pensei que iria me safar ilesa só olhando, mas AS MENSAGENS COMEÇARAM A LOTAR A TELA DE NOTIFICAÇÕES DO CELULAR. Eu coloquei o endereço deste bendito blog para perceberem que de mim só sairia um texto, mas o ser humano aprendeu a esperar pelos filmes em vez de ler os livros ou blogs.

COMO EU IRIA RESPONDER A TANTO HOMEM QUE EU NÃO ESTAVA NA CIDADE DELES? Ok, respondendo com “oi, eu não estou na sua cidade. É só um aplicativo que engana a localização e aí permite que eu possa dar match com você. Inclusive estou em Pernambuco com várias coisas esperando ser feitas, mas eu precisava dar uma olhada em outro Estado e fingir que nada aconteceu. Só que eu resolvi te contar porque você tem a cara do pai dos meus futuros filhos”. MAS É CLARO QUE EU NÃO IRIA FAZER ISSO TENDO A OPÇÃO: negar as aparências, disfarçando as evidências. Eu comecei a criar histórias magníficas. A cada  “o que uma pernambucana faz por aqui?” eu tinha vontade de dizer que estava vendendo a minha arte ou que era dançarina do Aviões do Forró. Respostas básicas. Parecia que um nordestino andando por outra região era crime e suspeito (apesar de eu ter um nome incomum, usar franja aos 24 anos e baixar um aplicativo que enganava a minha localização). EU SEI QUE MENTI DEMAIS, MAS EU RIA TANTO QUE NÃO ME SINTO CULPADA ATÉ HOJE. Me perdoem, mas cada conversa me fez ver vários lados do ser humano e aprender algumas coisas. Sim, dá para tirar lição moral!

Conversei com dois gaúchos  desconfiados e que acreditam na imagem da eterna pernambucana andando  com lata d’água na cabeça. Tudo bem, eu não os culpo por isso. Eu ainda acredito que o chimarrão tem cara de chá de boldo. Estamos quites! Os cariocas são simpáticos e adoram dizer “você é gostosa” a cada frase que soltam. Mesmo você não estando no cardápio de uma sorveteria, a frase realmente te faz parecer que você é GOS-TOSA. Os mineiros são... São... QUIETIN. Os paulistas já chegam “oi me encontra lá nas filmagens de Top Gun. Sou o que você quer”. SÉRIO. EU RECEBI ESSA. E o motivo de eu não ir ao Nordeste? Muito quente para fazer peregrinação por lá.

Participei de conversas geniais, insanas, machistas, delicadas (tinha acabado de perder o pai estava no Tinder para achar uma psicóloga. SIM, ISSO MESMO) e sinceras. Eu li de tudo um pouco. Conheci um cara que tem duas mães (família homoafetiva) e conversávamos sem dá conta do tempo. VIRAMOS AMIGOS DE INFÂNCIA. Com o passar dos dias, eu fui rindo menos e cansando de ter que inventar uma história nova para cada combinação. Estava quase deletando o aplicativo quando resolvi colocar a localização em PORTUGAL. E AÍ EU ME VI SENTINDO FALTA DO “CIÊNCIAS SEM FRONTEIRAS” QUE NUNCA TIVE. ERA CADA HOMEM LINDO QUERENDO SABER O QUE EU FAZIA EM PORTO DE PORTUGAL. Aos que me adicionaram no whatsapp: um eterno obrigada, o sotaque de vocês é uma delícia. Vocês querem saber o que eu fazia em Porto de Portugal? Ah, eu estava lá para me matricular na pós-graduação. NA UNIVERSIDADE DO PORTO. E IRIA MORAR LÁ EM DEZEMBRO. Eu sei que ainda há várias pessoas me esperando por lá, mas histórias precisam ser contadas. Eu sei que neste exato momento há pessoas me bloqueando, desfazendo nossa família no The Sims4 ou me amaldiçoando eternamente. Não guardem rancor, vocês me fizeram rir por 15 dias.  

É claro que o jogo sempre vira. Virou no exato momento em que contei para um cara engraçado toda a verdade e a finalidade deste “TOUR DA DEPRESSÃO”. Ele riu bastante e não me achou louca o suficiente para me afastar. AINDA. O fato é que contar a verdade e toda a história para ele parecia o certo... E quando eu vi estava discutindo – por  vídeo conferência – a quantidade de filhos que teríamos, imitando caras de bonecas em filmes de terror ou mostrando a bagunça do quarto e compartilhando as tatuagens. EU SEI. EU SEI. NÃO PRECISA GRITAR COMIGO, MAS EU ILUDI MUITA GENTE FORA DO ESTADO E DO PAÍS. É CLARO QUE A VIDA IRIA COLOCAR A MÃO NA CINTURA E DIZER “OI MIGA, QUEM ESTÁ RINDO AGORA?”. Pelo menos é brasileiro. Ok, não adianta nada.

As combinações foram divertidas, os dias foram amenizados, algumas histórias guardadas de tão bonitas e gentilezas retribuídas. Não importa onde você está, quem é ou o que quer. Você possui um poder enorme de fazer alguém sorrir e ser leve, mesmo sem se dar conta. Obrigada. De coração.