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08 fevereiro 2017

Uma desculpa para não desistir


- Quantas vezes você quis desistir?

O que te prende a este mundo quando tudo dá errado?  O que te faz seguir em frente mesmo quando as palavras atingem e tingem o seu coração e alma com uma cor escura? Como você se vira ao perceber que ainda duvidam da sua capacidade? Como sobreviver a uma sociedade que não te dá um espaço por você ser ou pensar diferente? E o que acontece quando o que você mais ama fazer e realizar é tratado com desdém? Você fica ou vai embora?  

Ontem eu arrumei as malas para ir. Eu quis desistir de tudo. Da vida, da alma, das pessoas que amo e daqueles que me têm como uma inspiração. Que controverso, não é? Uma inspiração às vezes não desiste. Elas ganham.  A cada segundo eu me dava uma desculpa para não desistir. Hoje eu tinha que ir para o Muay Thai e eu já tinha pagado as aulas. Não podia desistir das aulas e muito menos da turma que ainda não sabia o meu nome. Hoje eu também tinha que terminar de assistir uma série para comentar com alguns amigos e... Com quem eles iriam rir e onde achariam uma amiga que vive de desistências, mas torna tudo bonito e engraçado? Eu não podia desistir de ser essa amiga.

E o meu cachorro? Quem iria parar de fazer qualquer coisa para coçar aquele bucho estilo "A Grávida de Taubaté"? Eu não podia desistir dele também. E quem iria rir com a minha mãe sobre os nossos micos ou brigar com ela por esta assistindo TV FAMA e fazer ela mudar de canal? Eu tinha que ficar para mudar o canal.


Todos os dias eu procuro uma desculpa para ficar até tudo “ficar bem”.  Todos os dias eu desfaço as malas e me seguro firme. 

14 janeiro 2017

Calincka e o Jab do Muay Thai


– Me leva Senhorrrrr.

Na virada de 2016 para 2017 eu fiz uma promessa e, por incrível que pareça estou cumprindo. Me matriculei no Muay Thai e só sabia que precisa de luvas para boxe, socar um saco de areia e receber um  cinturão de ouro.

Se a vida não fosse difícil não teria graça e nem cor, isso vale para a arte marcial tailandesa: o Muay Thai. Eu pensei que iria ser SUPERRRRRRRRRRR simples bater em algo e depois meditar. A minha vontade de desistir começou no primeiro dia de aula com o alongamento que parecia ser uma preparação para o inferno. Quando começou o aquecimento eu lembrei que não dava para descer as escadas porque já tinha pagado a mensalidade. Eu esperei em todos os segundos a minha alma sair do corpo para observar o pessoal correndo, fazendo abdominal, correndo de lado, mais abdominal, correndo batendo nos joelhos... MEU DEUS, O QUE EU ESTAVA FAZENDO ALI? É claro que eu lembrei da promessa, do valor das luvas, da paciência do professor e pensei “dessa vez não tem como dizer que um parente morreu porque o celular está longe”.

Fui empurrando o treino com minha barriguinha saliente e fui apresentada aos golpes do Muay Thai. Eu fazia os movimentos sem sincronia, olhava para o meu reflexo no espelho e via um caso perdido. Havia o fato de que eu estava em um ambiente hetero – eu não tenho certeza, mas eu gostei. E muito, mas só ali – e lá estavam meninos lindos presenciando o meu suor e os momentos em que me joguei no chão pedindo a Deus para me puxar. Na terceira aula eu já sabia alguns movimentos e golpes aplicados no Muay Thai, mas isso não significava que eu já tinha a minha dignidade de volta naquele local. As pessoas começaram a me reconhecer. “A menina de Fátima Bernades”, eu era filha da apresentadora e nem sabia. Nunca chegou pensão alimentícia na minha contar para comprar várias “brusinhas”.


Na minha sexta aula o professor nos convidou para um campeonato que é realizado em Petrolina-PE: o Luvão. Com respeito pedi ao professor para dar um depoimento. Eu sei que ali não era grupo de autoajuda, mas precisava falar. Comecei a falar que em vários momentos eu quis desistir. Contei que há dez anos eu não amarrava o cabelo por não saber lidar com o fato de poder ser observada e todos os dias eu estava naquele local sem maquiagem. Com olheiras, boca ressecada e com a franja pingando suor. Eu percebi que tinha acertado um golpe fatal em uma das minhas limitações sem luvas, sem usar o Jab – soco impulsionado frontalmente – sem querer desistir. É cedo, mas eu me sinto assim: http://migre.me/vSs14.

10 maio 2016

Liberté

Fiquei certo tempo sem escrever porque precisava saber como eu estava. Precisava saber se havia mágoa, raiva ou dor por causa das últimas semanas e meses. Havia algo, era leve e não me assombrava mais. A liberdade estava sorrindo para mim.

Eu pouco escrevia sobre a escola, não queria lembrar-me de suas cores, do hino, das orações que pediam para os alunos rezarem para dar início a uma manhã com vários tipos de torturas psicológicas realizadas por colegas de sala. Por muito tempo eu guardei o que doía para disfarçar com alegria, bom humor, gentileza e histórias. Por muito tempo eu guardei, mas hoje eu escrevo me sentindo liberta. Fecharam-se várias portas diante de mim durante a adolescência e hoje não sei por qual janela passar... São muitas e eu agradeço. Eu preciso de concentração para ter a certeza de como estou trilhando o meu caminho, mas eu tenho uma boa perspectiva do que virá.

Eu passei semanas refletindo após relatar, em rede nacional, o bullying que me perseguiu até o momento do meu “ei miga, vamos parar porque eu não tenho mais dezessete anos e nem você”. Fiz várias escolhas dentro de uma semana e a mais bonita foi ficar e lutar por todos os que não possuem voz, por todos que me apoiaram e principalmente por mim mesma. Eu estava lutando para me libertar de um passado que não me atrevia verificar. Por muito tempo eu fugia de rostos na cidade, não frequentava alguns lugares e fingia que não ouvia alguns chamando o meu nome. Mas quer saber? Eu não tenho mais medo e vergonha de dizer que a escola foi um dos piores momentos da minha vida. Eu precisava passar por tudo aquilo para me transformar no que sou hoje. Como sou? Linda, inteligente, intensa, criativa, engraçada, corajosa e de humanas!!!


Olhe, eu consegui dizer pela primeira vez em um texto que: acho-me linda. E eu abri um portal (momento séries) para que todos os demônios saíssem e ficar longe de mim. Eu consegui realmente me livrar da raiva, da mágoa e da tristeza que sentia por não ter uma história legal sobre o ensino médio para contar. Mas eu terei outras histórias com muito “micão tour” e gostosas gargalhadas para compartilhar com vocês. Me aguardem. 

Ah, esqueci de falar “INHAAAAAAÍ PESSOAL”.

01 março 2016

As tentativas

Antes de contar, quero que saibam que apaguei três vezes os parágrafos que digitei. Pergunto-me se isto, a minha história, vai me prejudicar profissionalmente ou amorosamente. Pensei bastante antes de escrever, mas preciso compartilhar. EU NÃO SEI. TALVEZ EU DEVESSE ESCREVER AS MATÉRIAS QUE MEU “CHEFY” MANDOU.

Já estamos aqui, não é? E eu sei que alguns amigos dirão que eu não deveria ter escrito, mas esta história faz parte de mim, ela será carregada comigo, me acompanhará como uma sombra. Eu nunca tive autoestima, desde a escola, nunca me achei bonita porque muitos não achavam. Não conseguia dizer uma qualidade sobre mim. Na verdade, eu não sabia que tinha qualidades. Todos os dias, por todos os anos na escola, eu levantava da cama e chorava no banho porque sabia que iria ser maltratada por colegas. Apelidos,  omissão de professores e coordenadores e humilhações faziam parte do meu cotidiano. Eu queria acabar com a tristeza que sentia, a dor, as vozes que repetiam o que nenhuma garota merece ouvir.

Eu tentei prosseguir, mas eu estava tão cansada. Eu só queria dormir. Se eu dormisse tudo se resolveria. As pessoas não precisariam ter pena de mim, me  humilhar ou me ignorar por não ser a mais bonita do colégio. Aos 13 anos eu tomei 27 comprimidos desconhecidos por mim. Eram comprimidos para dor que a minha irmã utilizava. Eu dormi, mas acordei depois  que  uma vizinha e minha mãe colocaram álcool no meu nariz. Inalei e chorei muito. Mainha se culpava, eu acordei mais triste. Aos 14 anos perdi minha irmã e tive que sobreviver com a tristeza e a dor da perda. Os planos de me curar da tristeza foram embora como ela.

No ensino médio me interessei por garotos que me fizeram virar “a escala de feiúra”. Eu era o termômetro que os meninos utilizavam para dizer se uma garota era bonita. Quantas vezes lanchei no banheiro? Todos os dias.  Quantas festas no colégio eu fui? Nenhuma. Quantas vezes eu pedia chorando a mainha para ficar em casa? Todos os dias. Mas eu não dizia o motivo, eu não podia medir a dor dela com a minha. Vivi no automático por mais sete anos, até me apaixonar. Entrei na faculdade, fiz amigos, namorei, era considerada engraçada, amiga, generosa... Com o término, eu voltei todas as casas do jogo e perdi a segurança que tinha conquistado. Eu voltei para o fundo do poço e ganhei cortes profundos nos pulsos. Mais uma vez, minha mãe estava lá para estancar o sangue e me assistir a levar 17 pontos no pulso esquerdo e 9 no direito.



Eu achava que morrer era a solução. Até conhecer uma ciranda de amigos (gays) que me fizeram ver o melhor de mim. ELES ACREDITAM EM MIM. APOSTAM EM MIM. APONTAM OS ERROS. ELOGIAM OS ACERTOS. PRECISAM DA MINHA ALEGRIA. Ele s ressuscitaram a minha alma, a minha alegria, a minha criatividade. Eles fazem parte das minhas orações e nem sabem que eu faço preces. Eu só posso dizer: obrigada.  

07 fevereiro 2016

Caramelos

Pode-se dizer que 2016 começou me atropelando. Literalmente. Preferi não falar muito sobre o acidente por dois motivos: torpor e o fato de tentar me esconder de quem me atropelou. Calma, explicarei.

Estava menina Calincka, bem rainha do proletariado, atravessando a faixa de pedestres para pegar transporte público (queria estar pegando Adam Levine) e um carro para. Um motoqueiro segue e espero ele passar para continuar e: ROM POM POM ROM POM POM MAN DOWN! Foi tão rápido que eu só percebi que estava sentada no asfalto quando um homem  L I N D O me sacudiu. O que eu pensei? De longe vi meu ônibus e pensei “meus Deus perdi meu ônibus”. Coisa de pobre acidentado. A gente pensa em qualquer coisa, menos em milagres. A segunda coisa que eu pensei foi “que homem lindo”. A terceira foi “que homem lindo”. A quarta foi “que homem lindo”.

Depois de dez minutos sentada no asfalto, eu consegui perceber o que aconteceu. Tremia mais que criança fazendo escândalo no shopping e com medo de me mexer. Eu fui arremessada e bati no capô do carro, caindo sentada. Não sentia nada. Nem as pernas. Quando o cara que me atropelou perguntou meu nome e onde doía eu só consegui dizer: OIEEEEEEEEEE. SÉRIO. Depois falei meu nome e o que estava sentindo. Ele estava tão desesperado que fiquei com vergonha de ter sido atropelada. O TRÂNSITO PAROU. PESSOAS DESCERAM DOS CARROS PARA ME VER, O CARA LINDO QUE ME ATROPELOU SENTOU NO ASFALTO COMIGO E SEGUROU MINHA MÃO (e eu já estava nos shippando, já estava me perguntando quanto estava a passagem para Fernando de Noronha para a gente viajar), pessoas perguntavam o que aconteceu, pessoas diziam “ela está paralisada” e estava mesmo. Estava com medo de tentar mexer as pernas  e perceber não conseguia. A gente pensa que nunca vai acontecer. Nunca com a gente.

O cara não saiu do meu lado e ficou conversando comigo enquanto esperávamos os bombeiros (fui atingida na coluna e quadril, acharam melhor chamá-los) contou o que fazia, onde trabalhava, que se mudou de Brasília há um mês, casado e tinha um bebê chamado Murilo. Eu também conversei com ele e pedia desculpas. Ele me pedia perdão. Me levaram para o hospital, medicação, limpeza nos ferimentos, injeção, Raio X e: eu estava bem. Mainha foi chamada e quando ouvi a voz dela... Eu acho que nunca irei sentir tanto alívio como senti ao ouvir a voz dela. Meu porto seguro. Meu Sense8 no mundo.

O cara que me atropelou pediu perdão para a minha mãe, ele quase chorou. Mas não o culpe leitor, a faixa estava apagada, ele se mudou há um mês e eu deveria ter olhado para a esquerda quando a moto passou. Enfim, senti medo. Tive crises de choro e desativei as redes sociais para não me encontrarem. Eu queria esquecer, mas me lembrei que é escrevendo que esqueço. MAS A MELHOR PARTE É QUE: na hora do acidente eu estava com saquinho de caramelos na mão e eles ficaram espalhados no asfalto.


SIM, OS CURIOSOS CATARAM MEUS CARAMELOS E NÃO ME DEVOLVERAM. 

11 janeiro 2016

A menina que não tinha destaque na cidade

Com dois fins de semanas seguidos indo para uma boate, da cidade, afirmo com toda a certeza do infinito que: não vou mais. Calma leitor, não me desagradou, não foi ruim, não foi chato. FOI MARAVILHOSO, mas o bolso chora. As juntas do meu corpo doem, meus olhos sangram de tristeza VENDO VOCÊ BEIJAR OUTRAS BOCAS™.

Um furacão de acontecimentos para organizar dentro de um único texto. Vamos lá! Primeiro, há apenas uma boate na cidade. Se você aparece dois fins de semana seguidos... As gays viram para você e perguntam “MULHER, TU SÓ VIVE AQUI É?” e você quase enfarta com a pergunta porque SÓ ESTEVE – EM TODA A SUA VIDA NO PLANETA TERRA – TRÊS VEZES EM UMA BOATE. Outra coisa é que as três vezes eu fui OBRIGADA. Porque o amigo gay queria ir para pegar alguém que estava cobiçando. E DENTRO DESSAS IDAS ELE NÃO PEGOU NENHUM. Não se preocupem, já passei a minha faixa de miss trouxa para ele.

Não, eu não gosto de boates. Me desculpa, mas eu só fui obrigada mesmo. E porque é boate para as gays. E festa com as gays... NOSSASINHORA. TUDO DE MARAVILHOSO. Sim, eu uso “as gays”. Se acostuma. Outro fator é que os amigos estariam lá. A CIRANDA™. Para quem é praticante de paraquedismo e caiu neste blog/texto sem querer... A ciranda é composta por vários amigos praticantes do amor ao próximo, principalmente ao semelhante, e que usam o Grindr. Traduzindo: tudo gay. E como são muitos, dá para um segurar na mão do outro e fazer uma ciranda.

Deslocamos-nos para a boate e nada de “NOSSAAAAAAAAAAA” no início da noite, mas quando começou a lotar um pouco... Ferveu. Um amigo estava de bem com a vida, desacompanhado e do nada chega um cara e gruda nele. GRUDOU MEIXMO. GRUDOU MUITO. Passaram a noite praticamente casados, MAS AÍ MEUZAMIGOS... SEMPRE TEM UMA GAY DESTRUÍDORA DE LARES, NÉ? Chegou uma gay que dizem ser “cobiçada” pela cidade e acabou o casamento do meu amigo com o carrapato humano. Fiquei preocupada porque o cara se desgrudou e foi “atacar” a gay cobiçada. LITERALMENTE VENDO VOCÊ BEIJAR OUTRAS BOCAS™. Acontece. Sou especialista neste patamar, mas o melhor foi ver o cara chorando pela gay cobiçada. Fiquei paralisada, quase indo abraçar a gay chorona e dizendo “eu te entendo, miga”. MAS EU ESTAVA 50% ÓDIO E 50% TREMEDEIRA DELE POR DEIXAR MEU AMIGO SEGURANDO UMA TORTA DE CLIMÃO.

O que eu fiz? O que qualquer pessoa normal faz. Criei uma história com bonecas narrando a situação. Bem básica. Vista só por dois milhões de pessoas. Só isso. Demos gostosas gargalhadas. E eu pensei “pronto, não preciso mais aparecer na boate. Só ano que vem agora”. Coitada de mim porque O MEU AMIGO QUE ME OBRIGA A SER CASAMENTEIRA começa arrastar asa para um cara lindo. LINDO MEIXMO. Bati o pé que não ia, mas aí uma amiga sai espalhando que vai comemorar o aniversário na boate e vai travestida (e ela é mulher, viu?)... Eu tinha que presenciar. Fui. Mais uma vez suei, fiquei arrasada porque os meninos que eu queria na minha lista de “metas” estavam se agarrando com outros homens... EU NÃO SEI COMO AINDA FICO INCONFORMADA E SURPRESA POR VER OS HOMENS QUE EU QUERIA DANÇANDO ATÉ O CHÃO AO TOCAR BEYONCÉ.

O bom da noite são os diálogos. E ver que as músicas de Kings Of Leon não foram remixadas. Bem, há algumas pessoas que me conhecem por causa deste blog e as postagens “engraçadas” nas redes sociais. Eu tento passar por despercebida. Eu juro. O meu objetivo de vida não se resume a ficar rica ou conhecida pela internet. A rede mundial de computadores é apenas uma plataforma para impulsionar o que gosto de fazer. ESCREVER. ESCREVER PARA PROPORCIONAR GOSTOSAS GARGALHADAS. E chororô, porque a vida não é uma novela que garante o final feliz. E ao explicar isso a você, leitor, eu repito o que ouvi na boate. “VOCÊ NÃO TEM DESTAQUE NA CIDADE.” Ao contrário de um amiga, não sou e nem quero ser "famosa, famosíssima". 

Gente, a minha cidade já tem uma Ivete Sangalo. Eu não quero ser Ivete Sangalo. Nem posso. DEUS ME LIVRE DE DESTAQUE NA CIDADE. Não tenho psicológico para sair fazendo a “vereadora” para as pessoas. Não tenho psicológico para ver ex-colegas do ensino médio fazendo o simpático comigo. EU NEM TENHO PSICOLÓGICO. Deixe-me aqui, quietinha. Gritando no blog e quem sabe folheando um livro com meu nome.



15 novembro 2015

Umbuzada Sonora

Once Upon a Time (era uma vez em inglês), em um vale chamado “Vale do São Francisco”, um ‘BOSQUE’  conhecido por Juazeiro da Bahia. Juazeiro é uma cidade que transpira cultura, simpatia, ruas apertadas e festivais com música alternativa, folclórica e reggae. Bem, eu conheço apenas uma banda de Juazeiro. Ivete Sangalo é o nome da banda.

Deixando a brincadeira de lado, há bandas legais neste bosque encantado. Inclusive, tem um ano que passei a maior vergonha de todas as vidas ao conhecer uma banda juazeirense (leia-se Soda Solta). Estou me perguntando se a banda é de Juazeiro ou Petrolina, mas não importa... É farinha do mesmo saco. A diferença é que Petrolina tem Shopping e aeroporto. Mas Juazeiro ganha porque tem: I V E T E   S A N G A L O.  O assunto não é Petrolina versus Juazeiro, até porque não há rivalidade. Há amor. Eu nunca vi duas cidades tão maravilhosamente unidas e divididas por um rio e uma ponte.

O festival  ‘Umbuzada Sonora’ está em sua  6ª edição, aconteceu na Arena do Centro de Cultura João Gilberto em Juazeiro. Em cada edição,  o festival, nos fornece música de qualidade, independente e visibilidade para as bandas locais. Fornece também decepção amorosa, TOUR VENDO VOCÊ BEIJAR OUTRAS BOCAS™ e uns héteros que de longe parece hétero e de perto fala “INHAÍ”. Acho que estou esquecendo algo, mas é mentira. A gente nunca esquece quando vai sensualizar para o  boy e a namorada chega reivindicando a boca dele. SIM! COMEÇA AGORA, MAIS UM TOUR VENDO VOCÊ BEIJAR A SUA NAMORADA SEM GRAÇA™.

 

Combinamos com um pedacinho da Ciranda de Viados™ para ir ao festival e esquecer as mazelas que há no mundo e país. É claro que gostosas gargalhadas estavam chegando, principalmente quando a gente decide fazer a competição do falsete e  som para na hora. Olha só que coisa linda. É claro que gostosas gargalhadas iria acontecer quando fico secando o vestido dos outros e passo a mensagem errada. Moça, calma. Eu só estava decorando o modelo do seu vestido para mandar a minha costureira, Cida, fazer igual. NÃO PRECISAVA PERGUNTAR SE EU QUERIA A BALA DA SUA BOCA.

 

Eu fico imaginando Deus, lá em cima, comendo pipoca e me assistindo passar vergonha sem piscar. “Agora eu vou fazer a menina oferecer bala a ela. Kkkkkkkk”. “Agora eu vou colocar aquele cara bonito, que eu fiz, perto de Calincka para ela sensualizar. KKKKKKK.” E foi assim, que eu me apaixonei pelo cara bonitinho da festa. Quando eu falo que vou ‘sensualizar’, não é colocar dedinho na boca, dançar até o chão, jogar o cabelo. Eu só arrumo a franja, olho se o batom está borrado, arrumo os peitos dentro do sutiã e... ENCARO A PESSOA. E FICO ALI ESPREMENDO OS OLHOS POR CAUSA DA MIOPIA ( QUE DÁ O EFEITO DE QUE EU ESTOU PAQUERANDO). E foi neste momento em que a namorada dele nos pegou quebrando o nono mandamento da Bíblia. Não cobiçarás a mulher do próximo ou o homem. MUITO FÁCIL PARA DEU ESCREVER ESSE MANDAMENTO EM DUAS TÁBUAS PORQUE ONDE ELE ESTÁ NÃO TEM FESTIVAIS, FACEBOOK, INSTAGRAM, ÔNIBUS, ADAM LEVINE...

 

Sim, a namorada viu e puxou ele pelo braço e saiu desfilando com ele na minha frente. OSTENTOU O BOY DELA. CADÊ O ARREBATAMENTO NESSAS HORAS? O que tinha de sem graça... Tinha de FUNK OSTENTAÇÃO. Faltou chegar a mim e dizer “miga, é meu”.  AAAAAAAH, MAS VALEU APENA VER QUE EU PELO MENOS FAÇO O EFEITO DE AMEAÇA. Uma professora minha e uma amiga ficaram dando gostosas gargalhadas da situação, mas eu superei porque às vezes Jesus se disfarça de boy acompanhado para testar a nossa fé.  E ainda bem que tinha algo me esperando em casa. NETFLIX.




26 outubro 2015

A menina que colecionava combinações


Sentadas na praça de alimentação do shopping, tentando atualizar-se com os acontecimentos da vida após a separação da faculdade, duas amigas riem, reclamam e falam sobre homens. Parece roteiro de filme para pré-adolescentes, mas pode ser um dia. Vai saber, né?

As duas amigas saudosas gargalham com novidades pacatas, mas significantes. Em meio a tantos temas elas falam sobre um aplicativo de relacionamento e as conversas que foram obrigadas a presenciarem (arrastou a foto para o lado direito, agora aguente) ou finalizarem. Até que, infelizmente ou não, uma comenta sobre a existência de um outro aplicativo que anula as fronteiras do aplicativo de relacionamentos chamado: TINDER. OH, A TECNOLOGIA AJUDANDO A ILUDIR AS PESSOAS!!! COMO SE O SER HUMANO NÃO PUDESSE REALIZAR ESSA TAREFA SOZINHO!!! Impressionante como a minha curiosidade não tem um botão STOP. Acho que já me entreguei, né? Ok, já fiz revelações piores...

Acho que não é preciso dizer que baixei o aplicativo, ativei a localização falsa e já estava no: RIO DE JANEIRO. Critério de escolha? Nenhum. Começou sem critérios e depois evoluiu para apenas uma finalidade: DAR GOSTOSAS GARGALHADAS E CONTAR ISSO EM FORMA DE TEXTO. Sem ao menos piscar eu estava no Rio Grande do Sul entre as cidades: Santa Maria, Cachoeira do Sul, Bagé, São Gabriel... Até aí tudo bem, mas aí eu fui para outros Estados e depois fiz viagens internacionais com o TOUR DAS GOSTOSAS GARGALHADAS™. EU SEI, É LOUCURA. FOI LOUCURA. AINDA É, MAS A CADA COMBINAÇÃO COM HOMENS LINDOS... Eu só conseguia sorrir e me perguntar “Deus, o que está acontecendo?”. Pensei que iria me safar ilesa só olhando, mas AS MENSAGENS COMEÇARAM A LOTAR A TELA DE NOTIFICAÇÕES DO CELULAR. Eu coloquei o endereço deste bendito blog para perceberem que de mim só sairia um texto, mas o ser humano aprendeu a esperar pelos filmes em vez de ler os livros ou blogs.

COMO EU IRIA RESPONDER A TANTO HOMEM QUE EU NÃO ESTAVA NA CIDADE DELES? Ok, respondendo com “oi, eu não estou na sua cidade. É só um aplicativo que engana a localização e aí permite que eu possa dar match com você. Inclusive estou em Pernambuco com várias coisas esperando ser feitas, mas eu precisava dar uma olhada em outro Estado e fingir que nada aconteceu. Só que eu resolvi te contar porque você tem a cara do pai dos meus futuros filhos”. MAS É CLARO QUE EU NÃO IRIA FAZER ISSO TENDO A OPÇÃO: negar as aparências, disfarçando as evidências. Eu comecei a criar histórias magníficas. A cada  “o que uma pernambucana faz por aqui?” eu tinha vontade de dizer que estava vendendo a minha arte ou que era dançarina do Aviões do Forró. Respostas básicas. Parecia que um nordestino andando por outra região era crime e suspeito (apesar de eu ter um nome incomum, usar franja aos 24 anos e baixar um aplicativo que enganava a minha localização). EU SEI QUE MENTI DEMAIS, MAS EU RIA TANTO QUE NÃO ME SINTO CULPADA ATÉ HOJE. Me perdoem, mas cada conversa me fez ver vários lados do ser humano e aprender algumas coisas. Sim, dá para tirar lição moral!

Conversei com dois gaúchos  desconfiados e que acreditam na imagem da eterna pernambucana andando  com lata d’água na cabeça. Tudo bem, eu não os culpo por isso. Eu ainda acredito que o chimarrão tem cara de chá de boldo. Estamos quites! Os cariocas são simpáticos e adoram dizer “você é gostosa” a cada frase que soltam. Mesmo você não estando no cardápio de uma sorveteria, a frase realmente te faz parecer que você é GOS-TOSA. Os mineiros são... São... QUIETIN. Os paulistas já chegam “oi me encontra lá nas filmagens de Top Gun. Sou o que você quer”. SÉRIO. EU RECEBI ESSA. E o motivo de eu não ir ao Nordeste? Muito quente para fazer peregrinação por lá.

Participei de conversas geniais, insanas, machistas, delicadas (tinha acabado de perder o pai estava no Tinder para achar uma psicóloga. SIM, ISSO MESMO) e sinceras. Eu li de tudo um pouco. Conheci um cara que tem duas mães (família homoafetiva) e conversávamos sem dá conta do tempo. VIRAMOS AMIGOS DE INFÂNCIA. Com o passar dos dias, eu fui rindo menos e cansando de ter que inventar uma história nova para cada combinação. Estava quase deletando o aplicativo quando resolvi colocar a localização em PORTUGAL. E AÍ EU ME VI SENTINDO FALTA DO “CIÊNCIAS SEM FRONTEIRAS” QUE NUNCA TIVE. ERA CADA HOMEM LINDO QUERENDO SABER O QUE EU FAZIA EM PORTO DE PORTUGAL. Aos que me adicionaram no whatsapp: um eterno obrigada, o sotaque de vocês é uma delícia. Vocês querem saber o que eu fazia em Porto de Portugal? Ah, eu estava lá para me matricular na pós-graduação. NA UNIVERSIDADE DO PORTO. E IRIA MORAR LÁ EM DEZEMBRO. Eu sei que ainda há várias pessoas me esperando por lá, mas histórias precisam ser contadas. Eu sei que neste exato momento há pessoas me bloqueando, desfazendo nossa família no The Sims4 ou me amaldiçoando eternamente. Não guardem rancor, vocês me fizeram rir por 15 dias.  

É claro que o jogo sempre vira. Virou no exato momento em que contei para um cara engraçado toda a verdade e a finalidade deste “TOUR DA DEPRESSÃO”. Ele riu bastante e não me achou louca o suficiente para me afastar. AINDA. O fato é que contar a verdade e toda a história para ele parecia o certo... E quando eu vi estava discutindo – por  vídeo conferência – a quantidade de filhos que teríamos, imitando caras de bonecas em filmes de terror ou mostrando a bagunça do quarto e compartilhando as tatuagens. EU SEI. EU SEI. NÃO PRECISA GRITAR COMIGO, MAS EU ILUDI MUITA GENTE FORA DO ESTADO E DO PAÍS. É CLARO QUE A VIDA IRIA COLOCAR A MÃO NA CINTURA E DIZER “OI MIGA, QUEM ESTÁ RINDO AGORA?”. Pelo menos é brasileiro. Ok, não adianta nada.

As combinações foram divertidas, os dias foram amenizados, algumas histórias guardadas de tão bonitas e gentilezas retribuídas. Não importa onde você está, quem é ou o que quer. Você possui um poder enorme de fazer alguém sorrir e ser leve, mesmo sem se dar conta. Obrigada. De coração.



    

04 outubro 2015

Bom dia meu bebê, te amo meu bebê

Nossa, quanto tempo hein? Como estão? Não, não precisa responder. Menina Calincka tem andado ocupada (estava presa nas garras da rotina), MAS SEMPRE HÁ TEMPO PARA SOFRER NOVAS DECEPÇÕES. E é neste ponto que a história começa. Sabe aquela novela que você move o céu e a terra para não perder nenhum capítulo? E o final é uma Porcaria? Então.

Eis que eu conheço um alguém. Vamos chamá-lo de Adam (Levine). Adam é bonito, educado, gosta das mesmas séries que eu, gosta de Kings Of Leon, toca violão, tem um cabelo lindo e um sorriso que seduz qualquer mulher. Adam é engraçado e entende as minhas piadas. No primeiro encontro ele pediu caipirinha sem saber que eu gostava. UM PONTO PARA ELE! Segurou minha mão algumas vezes sem nenhuma preocupação e era tão normal. Parecia que a minha pequenina mão já tinha encontrado a dele. Ele contou sua hisstória, falou sobre a família, sobre o Chile (ele morou quatro anos lá com a mãe e padrasto), sobre bandas e livros. O beijo dele era tão familiar que chegava assustar. Eu não conseguia parar de imaginar a boca dele sabe onde? Isso mesmo, na cara dos nossos filhos.

O segundo encontro foi uma mistura de nostalgia porque ele me levou para um aniversário de criança. A aniversariante é filha de um amigo dele que nos recebeu bem, mas havia algo errado por ver Adam vasculhando o local e indo cochichar com o amigo algumas vezes. Cheguei a pensar que o problema era comigo. Passei metade da festa sem triscar em nenhum brigadeiro porque estava imaginando mil problemas na minha cabeça. Perguntava-me se os dois me atraíram para uma festa de criança com a intenção de traficar meus órgãos. Sério. Imaginei tudo, menos uma coisa...

No terceiro encontro eu pensei “agora vai”. E não foi. Estávamos no shopping, sentados na praça de alimentação, a espera da fila para entrar no cinema. O celular dele toca e ele finge que não estava ouvindo. “ONW QUE FOFO, NÃO QUER ATENDER PORQUE ESTÁ GOSTANDO DA MINHA HISTÓRIA”, pensou a trouxa. Depois de pedir seis vezes para ele atender... A primeira frase que ele solta ao atender: OI MEU BEBÊ!!!!! Fiquei mais parada que manequim de loja. E ao prestar atenção na conversa, não era um bebê de verdade. Sabe? Não é esses bebês que depois de nove meses a gente vê o resultado... Era esses bebês que falam “OI MOZI” ou “OI MEU TUDO”. Como lidar? Agindo naturalmente. “Eu namoro há seis anos. Mas está desgastado e eu gostei de você.” Que lindo!!!!!!! ONW, ele gostou de mim!!!! MAS NAMORA HÁ SEIS ANOS!!!! QUE LINDO, GENTE!!!! Ele perguntou se eu estava chateada... OLHA A PERGUNTA. REPAREM NA PERGUNTA. Pedi licença para ir ao banheiro e foi naquele momento que eu decidi ir à bilheteria comprar outro ingresso para outro filme e voltar para a mesa.

Pedi para Adam escolher os nossos lugares enquanto escolhia os doces. Entrei na outra sala e assisti sozinha “Mazer Runner: prova de fogo” dando gostosas gargalhadas enquanto bloqueava-o nas redes sociais. PARECE QUE O JOGO VIROU. TCHAU MEU BEBÊ!!!!


06 setembro 2015

Ele mora longe

Se os sintomas de um infarto agudo no miocárdio FOR UMA PALPITAÇÃO A CADA VEZ QUE VEJO ALGUÉM INTERESSADO EM MIM, MAS QUE MORA LONGE... Eu devo ter ressuscitado só esse ano umas 327 vezes. Talvez seja Karma, talvez culpa do meu signo – já que todo mundo pode colocar a culpa no signo, eu também posso – ou a minha preguiça de ter que paquerar nos lugares.

PAQUERAR CANSA. Parece que estamos em uma esteira sem fim onde, o personal, só vai aumentando a velocidade e tentamos acompanhar. Algumas vezes com sucesso, outras vezes é um desastre. O mundo está dividido entre quem deve ter atitude para iniciar uma conversa e quem deve esperar essa atitude. Claramente, estou na segunda divisão como alguns times de futebol. A conversa morre no primeiro sinal de “meu Deus, ele não vai mais perguntar nada?”. Ninguém coopera. “Ah, mas você tem que trocar olhares.” Eu até troco olhares, mas sempre olho para trás achando que estou na frente de algo que a pessoa queira ler.

Bares, faculdades, elevadores, ônibus... Tudo acaba em um “e se”. E se eu tivesse pedido o número? E se eu não desviasse o olhar? E se ou fosse mais ousada em vez de tentar fazer a pessoa me achar divertida? E se... E se eu deixasse tudo isso pra lá e continuasse a minha sem  importar com essa estiagem na minha horta? Então. É o que estou fazendo. OU ESTAVA. ATÉ O EXATO MOMENTO EM QUE UMA DIVINDADE ILUMINADA, QUE MORA NO CÉU E TEM UM MONTE DE EMPREGADOS (leia-se anjos), ME ENVIA UM PRESENTE. O presente é à distância. Mais uma vez. Para variar. Como sempre. Tem como ser embaixadora de uma ONG com o objetivo de ajudar os humanos que se interessam por quem mora LONGE? Em vidas passadas, eu devo ter escrito muita carta de amor – à mão e com pena – para soldados de guerra, prometendo amor, oito filhos ou trocar os curativos.              

Como assim? Quase 2016 e ainda tenho essas paixonites que termina com cinco minutos de conversa por um aplicativo porque a pessoa não fala mais nada. Eu tenho preguiça de fazer fotossíntese, imagina ficar mandando mensagem... Atrapalhando a pessoa na hora da paquera em outro Estado. O que me parece é quer no vestibular do meu coração, só passa quem mora longe. Eu não acredito que terei que comprar um jatinho para namorar...

Você entra em aplicativos para conhecer pessoas na sua região e: só fotos de viagens feitas pelo projeto Ciência Sem Fronteiras, fotos na academia com o ar de “olha como eu malho, vou fazer você tomar suco verde também”, fotos cortadas com a ex do lado, mensagens pedindo praticamente seu CPF... NINGUÉM CONVERSA. AS PESSOAS NÃO SABEM CONVERSAR.  Quem destruiu o diálogo no século XXI? E é nesta brecha que aparece os que sabem conversar, sabem fazer piadas e argumentar.

A distância é horrível, mas é tão linda a comunicação. Ô VIDA.

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23 agosto 2015

Existe amor na UNEB


A maioria da população brasileira (CINCO PESSOAS) sabe que o signo UNEB tem ascendente em greves. A pesquisa foi feita em uma mesa com jornalistas, advogados e uma Doutora em... Em... ELA É JOSÉ WILKER DO NORDESTE.

Festa de aniversário é sempre bom, né? E quando é de criança que envolve sacolinhas, picolé, pipoca, batata frita, algodão doce, criança chorando porque não ganhou sacolinha, Desejo de Menina, professoras da UNEB, um Camaro... É de longe a melhor festa. Um momento senhora, estarei contando a história quando conseguir resolver a questão: É “CAMARO” QUE ESCREVE? Vou pesquisar porque é uma palavra que não faz parte da minha rotina porque o meu carro é Joalina (pesquisem). Olha leitor, eu vou ficar um pouco dispersa no texto porque o vinho ainda está na corrente sanguínea e foram vários momentos de GOSTOSAS GARGALHADAS. Não espere um texto com as regras da ABNT e nem um artigo científico sobre um sábado com cheirinho de infância. Afinal, uma professora disse-me em plena entrevista de emprego que: meus textos não eram algo que poderia contribuir para certa área do jornalismo... ALOU PRÓ, OLHA SÓ... ESTOU FAZENDO A MESMA COISA QUE VOCÊ E O BLOG É LIDO POR D-O-U-T-O-R-A-S. Ah, 1x0 PARA MIM. Esse foi um oferecimento “passei um mês preparando a indireta”.

Tenho amigos que são humildes até na hora de explicar como vai ser o aniversário deles ou do parente. Eles começam dizendo “vai ser uma reuniãozinha” e esse é o código para parcelar, em dez vezes, o look de marca (C&A, eu te amo) e ir preparada para a reunião com direito a copo especial cravado de diamantes. Não se engane com o diminutivo, ele é cobra criada e pega você. Vai achando que a festa envolve apenas uma mesa e um bolo, vai. É claro que a experiência te faz agir naturalmente quando você chega à festa e vê TUUUUDO LINDO E ORGANIZADO. Você cumprimenta todos que conhece, senta, faz a fina e segura o impulso de tirar o salto para brincar com as crianças. E por falar em crianças... Ô VONTADE DE IR ATÉ OS PAIS E PEDIR OS ÓVULOS E ESPERMATOZÓIDES CONGELADOS PARA PODER FAZER UNS “MININÚ” IGUAL. MUITA CRIANÇA BONITA, mas isso não quer dizer que elas esperam a vez de cada uma pegar a sacolinha educadamente... Sem alardes, sem choro... FIZ UM MOVIMENTO BRUSCO E VI QUE O BOLO SÓ FICOU EM CIMA DA MESA PORQUE ERA PESADO. Eu vou abrir uma empresa que coloca cerca elétrica ao redor da mesa com doces e sacolinhas. Vai ser sucesso.

A empresa também vai auxiliar que o animador da festa não faça brincadeiras que envolva cadeiras para não deixar os convidados em pé. Sim, os convidado chegando e o palhaço “VAMO BRICAR COM A BRINCADEIRA DA CADEIRA, PEGA AS CADEIRAS”. A minha amiga nervosa porque as nossas professoras estavam chegando e zero cadeiras para elas. É claro que nessas horas baixa a sinceridade e a gente toca no ombro do palhaço e decreta o fim da brincadeira porque as pessoas precisam sentar. O palhaço ficou bem triste comigo, mas eu o encorajei com “coloca esses meninos pra correr”. Ficou tudo bem. 

O melhor estava por vir com a chegada da orientadora que vai colocar minha amiga na justiça para ganhar dois mil e quintos reais (sério) porque o TCC foi premiado, a doutora da faculdade que os alunos reclamam porque ela exige os trabalhos, as provas, o empenho, Caio Castro... E UMA MAQUIADORA/JORNALISTA/COORDENADORA DE ONG/FUTURA TORQUATTO DA GNT... AH, mas teve assunto! Você foi citado leitor. Pode ter certeza. E olhe... O único momento baixo astral foi quando descobri que tem funcionária (aquelas que a gente pensa que escolheram entrar para a liturgia da igreja, o grupo de oração e abraçar o fato de não dormir de conchinha) da minha belíssima faculdade namorando e eu aqui... VENDO BEIJAREM OUTRAS BOCAS, DANÇAREM AS VALSAS COM OS DADY MAGIA (rindo horrores), AMAREM COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ...

Estão certas! Entregaram-se para as garras desse amor gostoso, mas precisava ser primeiro que eu? Precisava casar enquanto eu esperava dar seis meses para mudar o status de relacionamento no facebook???


DEUS, O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A MINHA
VIDA?

11 agosto 2015

A vida de um estagiário


A culpa é sempre nossa. Não por sermos acusados de um erro, mas nós nos culpamos antes mesmo que alguém apareça e diga que há um erro. A GENTE JÁ SABE QUE ESTÁ ERRADO. Se ocorrer um acidente de trânsito em frente ao seu local de trabalho... Começamos a pensar “meu Deus, a culpa foi minha por não ser a Mulher Maravilha”.

A paranóia persegue a gente até o momento de dormir. E quando não conseguimos dormir ficamos pensando nas seguintes situações “o que será que eu vou quebrar amanhã?”, “será que o entrevistado percebeu que ficou sem a caneta porque me esqueci de devolver?”, “Será que eu mandarei e-mail sem anexar o arquivo novamente?”, “Quando o chefe me chamar na sala dele... Eu finjo um desmaio ou uma convulsão?”, “Meu Deus, tem duas pessoas com o mesmo nome. Eu salvo o número como Fulana que usa salto e Fulana que usa saia de reggae?” “Ave Maria, será que meu chefe sabe que eu tenho esse blog? Será que ele leu todos os textos? MEU DEUS DO CÉU!!! SERÁ?”. Aí você mentaliza “calma, calma, calma, calMAS SERÁ QUE ELE SABE MESMO DO BLOG E QUE VIM AO PLANETA DESTINADA A PASSAR VERGONHA?”.

A primeira semana ninguém te assusta, mas aí você derruba suco no teclado, manda e-mail para a pessoa errada, acha que ninguém sabe que você está ali suando frio e com medo de errar alguma coisa, fica em dúvida se a transcrição do áudio ficou apresentável, vai imprimir o texto e a impressora que não quer funcionar te obriga a fazer uma novena para Nossa Senhora dos Estagiários. Acha que ta sendo vigiada e que a qualquer momento Pedro Bial vai aparecer e falar com metáforas que você ESTÁ FORA DA CASA CHAMADA EMPREGO. Fica se perguntando e tentando lembrar-se dos slides que a professora explicava cada função, mas percebe que não tem nada a ver com nada. Tipo a fórmula de bhaskara. “Deixa eu usar aqui a fórmula de bhaskara para ver se o cobrador me deu o troco certo.”

A primeira vez que você vai produzir um texto em formato específico para uma das áreas do jornalismo é como se fosse fazer a primeira prova COM CANETA na escola. Lembra como era assustador? A prova ficava parecendo um quadro do Romero Britto. E então você é cativada pelas pessoas que trabalham com você, é cativada pela rotina e não se vê mais na procrastinação, não consegue se imaginar sem a sensação de que você está sendo desafiada e testada a cada minuto. E que um longo caminho com pedras (para construir meu castelo com Adam Levine) nos espera.


O melhor é que você surpreende as pessoas que não te deram uma oportunidade e pode dizer “PARECE QUE O JOGO VIROU, QUERIDINHA”. 

02 agosto 2015

25

Não, esse não é um texto sobre o novo álbum da Adele (aquele que iria sair esse ano, mas só vem com Jesus). São fatos que eu só percebi em uma boate ou já tinha percebido, mas esvaziei a lixeira da mente. Em novembro farei VINTCHY CINCO ANOS e estou me sentindo com (OI)TENTA.

Menina Calincka Saiu com a Ciranda de Viados™, até aí tudo bem... Marcamos um local para nos encontrar porque era muita gente e sabíamos onde encontrar a metade do grupo. Fomos a um bar “novo”, chic, com pessoas que parcelaram as roupas caras em dez vezes no cartão só para aparecer lá e descolar algo... Algo como: a solidão. EU QUERO SABER O MOTIVO DAS PESSOAS SAÍREM PARA UM BAR COMO SE FOSSEM RECEBER UM GRAMMY. Eu terei que pesquisar o nome dessa doença. A primeira situação que me deparei foi com a hostess (porteira, pra quem não tem frescura) perguntando se estávamos na lista. DESDE QUANDO BAR TEM LISTA? EU QUERO BANIR ESSE BAR DA MINHA CIDADE. E AS PESSOAS QUE ESTAVAM LÁ TAMBÉM. Petrolina já foi mais humilde, eu adorava isso. Entramos porque já tinha alguns amigos dentro esperando a nossa presença. O fato de ter sido barrada tem a ver com a minha sandália rasteira porque ela olhou para os meus pés e eu dei uma voltinha pra ela ver de outro ângulo. O ser humano é o único animal que julga outro ser humano em vez de matar e comer... Se ela estava me achando pobre... ELA ACERTOU!!!!!!!!!!!!   

Meus amigos estavam com um casal americano e eles são SUPER/MEGA/HIPERCARD fofos. Simpáticos, alegres... Mudou minha concepção do que é “ser americano”. Cada país tem um estereótipo. Eu pensava que os americanos abraçavam sem encostar e ficavam pensando no valor do DÓLAR. O NORDESTE É UM PAÍS e também pensam que nós, nordestinos, comemos rapadura, farinha, cuscuz, tomamos cajuína e ouvimos DESEJO DE MENINA ou ARAKETU. E é verdade. Tentei usar o inglês do ensino médio, só tentei. Desisti e parti para o espanhol com “estoy aquí queriéndote Arr%mbaran nembmmeymymu qyaeti, meu deumus do céu deixaxwucitmrque no puedo comprender”. E como de costume eu tenho que passar vergonha porque é tradição, foi detectado no meu mapa astral e é do meu signo... O cunhado da minha amiga estava no bar e me aproximei perguntando pela a irmã da minha amiga e ele “EU NÃO SEI”. Oxeoxeoxe, depois eu me toquei que algo aconteceu para ele responder com frieza e falta de educação. Eles terminaram. Fiquei morta e tentei plantar bananeira para Deus me puxar pelos pés. Virei para um amigo e disse “vambora pelo amor de Deus”. Fomos para a boate, um lugar agradável, com músicas de divas, gente suada dançando ao som de Lady Marmalade e as gays querendo pegar nos meus peitos... E descobri que estou velha. Dancei uns quatro minutos e a coluna doeu, o pulmão, a íris, meu dedo mindinho, minha alma... No quesito disposição eu levo a nota zero. O mesmo número de dinheiro na minha conta bancária.

Aconteceram gostosas gargalhadas e até arranjei um namorado lá... Só que ele não sabia que a gente tava namorando porque estava abraçado com a namorada. Segurou a bolsa dela, abanou quando ela começou a suar e eu só VENDO ELE BEIJAR OUTRAS BOCAS™. Foi bom? Foi.


22 julho 2015

Recordações


A rede social “facebook” nos proporcionou a oportunidade de relembrar publicações antigas, datadas um ano atrás ou dois. É claro que a vergonha não é pouca por ter que excluir os restos mortais de um relacionamento ou amizade.

 O que você compartilhou é interessante e nostálgico? Quer relembrar com os amigos? Terá o trabalho de apagar comentários de pessoas que foram embora por vontade própria ou por sua pouca vontade para que permanecessem. "Você tem recordações com..." NAAAAAAÃO, POR FAVOR, NÃO! A MÃO DE EXCLUIR CHEGA A TREMER, mas nem todos os dias são “nossa, eu já fui amiga dessa pessoa?” ou “nossa, olha a legenda dessa foto. Passei tanto tempo procurando uma legenda para eternizar essa foto”. Você também dará gostosas gargalhadas – mesmo sendo gótico (a) – e comemorará vitórias... Como... Como... Como deixar de assistir uma série ruim, ver que certa disciplina não era tão chata, o emagrecimento, a Ciranda de Viados™ que você adotou, a superação pós Copa (7x1 ainda arde), a piada que não te faz rir mais, Giovana segurando vários forninhos e o Vendo Você Beijar Outras Bocas™ quase desaparecendo (o quase foi muito bem empregado porque ainda tem muito casal para pouca rede social).

LEITOR, eu nunca pensei que colocaria a mão na consciência diante de tanta besteira compartilhada. Ela pesou mais que açougueiro trabalhando. NOSSA, MAS É TANTA BESTEIRA, É TANTA HISTÓRIA QUE PODERIA TER SIDO ENGAVETADA COMO OS CASOS QUE A POLÍCIA FECHA, é tanta publicação gótica e ao mesmo tempo feliz, é tanta piada de tio no churrasco, é TANTA SELFIE COM A MESMA POSE. Eu fui castigada, como vocês (os que ficaram) aguentaram? Eu não sou roupa velha, mas me doaria de tão desnecessária que fui. E ainda serei, mas vim para ficar neste planeta destinada a sofrer com as próprias atitudes ridículas feat. Vergonhosas. Em universo paralelo eu não passo vergonha. Só em um universo paralelo.

O mais interessante é o amadurecimento que não demonstramos nas redes sociais. É a data em que você começou a trilhar o caminho para o sucesso profissional e/ou amoroso. O momento em que você saiu da própria concha e zona de conforto  sem reclamar e assustar. O que ninguém sabe é que por trás de cada dia há uma superação. Há a vida, a esperança, sonhos e perseverança. É impossível que alguém acompanhe e perceba o quanto crescemos, o quanto mudamos de um ano para outro por uma mera publicação. Você nunca saberá o que foi quebrado, em que momento “Davi encontrou Golias”, quando você decidiu virar o jogo e em que direção o vento está assoprando. Não é bonito saber que há uma grande história por trás de uma pequena frase compartilhada na internet? Eu acho fascinante e assustador saber que nunca teremos acesso a todo “arquivo” de um ser humano. É uma caça ao tesouro sem mapa.


Sinceramente? Eu só quero te parabenizar por todo conflito que eu não vi, mas sei que você enfrentou. Quero que leia em voz alta um texto antigo ou pensamento e reconheça que fez uma linda música de blues com a própria história, com a queda, ascensão e as batidas do seu coração. Parabéns!

09 julho 2015

Encontro com pessoas ricas


 Você já saiu com uma pessoa rica? Rica do tipo: tem um iate, come escargot, coloca um lenço no colo em vez de colocar na gola da camisa ou joga golf. Se você nunca saiu com uma pessoa assim, bem-vindo(a) ao meu lindo mundo. Porque seria um pesadelo.

Eu sei que muita gente quer um namorado rico, bonito, rico, inteligente, muito rico, MAS eu não sou todo mundo. Eu morro de medo de ir à cozinha na madrugada e ver um cara rico lá. Sério, seria um dos meus pesadelos. Eu tenho a impressão de que as pessoas ricas brincam de viver e que a qualquer momento descartam as pessoas que possuem uma renda menor em questão de segundos. Sem mencionar que a maioria é egocêntrica, te olha com nojo ou só quer aproveitar algo que você tenha (a sua beleza, poder em algo ou um talento que possa vir ameaçar a tal pessoa rica). Se já existe pessoas que se acham sem ter dinheiro... Imagina quem tem.

Em um diálogo com um amigo, ele contou que um cara rico estava interessado nele e fui fazer o que qualquer amiga faria: STALKEAR (vasculhar a vida dele pela internet). Bem, eu descobri que o moço pode gritar a qualquer hora “EU SOU RYCCAAAAAAAAA”. Fotos da mãe em belíssimos eventos (para pessoas ricas), a irmã viajou o mundo (não foi pelo Ciências Sem Fronteiras), o sobrinho parece aqueles bebês de comercial e o pai curtindo a vida em: IBIZA. Está pouco ou quer mais? O pobre menino rico é gay, mas não assume e desfila com lindas garotas no carro que nem sei o nome (só reconheço o Fusca e uma Vam). Sinceramente eu não nasci para ser interesseira, eu não sei lidar com esse tipo de mundo. No máximo, eu saberia lidar com compras na C&A. Não nasci em berço de ouro, mal consigo distinguir a taça de água para a de vinho e quando falam “senhora, você quer vinho tinto seco ou suave?” eu tenho vontade de pedir uma Coca-Cola. Imaginem Calincka namorando um cara que dá jóias, com esmeraldas, e ela dando um KAIAK no dia dos namorados... Pedi ao amigo para tirar o unicórnio da chuva e escolher outra pessoa. Não é preconceito da minha parte, é medo. Já ouvi muitas histórias de pessoas sendo humilhadas e abandonadas só com a roupa do corpo. Infelizmente é a realidade.

Eu sou aquela que curte coisas simples. Digamos que eu adore comer tapioca com a mão, passar o dia de moletom com meia e chinelo, comer como nordestino (farinha no meio), pagar meia no cinema, comprar bolsa de marca falsificada, gargalhar alto, usar sapatilhas, short folgado, correr atrás de ônibus (a vida tem que ter emoção) e ir para a faculdade de barca. Não posso negar que milhões na minha conta seria uma maravilha, mas posso afirmar que jamais agiria como uma pobre menina rica que bate o carro e no  dia seguinte... Compra um novo como se fosse comprar o pão que acabou.


Me leve ao cinema, a uma pizzaria, me compre livros, divida a batata comigo, segure a minha mão, elogie meus olhos, coloque mais água no feijão quando eu chegar, conte suas histórias e veja o quanto aprecio essas pequenas riquezas. 

02 julho 2015

A história do esmalte


Vivo diante de vários questionamentos. Às vezes úteis, sem repercussão ou algo que não precise ser desconstruído por especialistas e pesquisadores. Ao pintar as minhas unhas de vermelho “paixão” me vi questionando a história do esmalte.

“Como surgiu? De onde veio? Como vivem? O que comem?” Hoje, no Toda Linda de Valentino. Nunca me interessei em pesquisar algo que uso e abuso constantemente. Algo que demonstra a minha vaidade e cuidado, algo que possa entregar a nossa personalidade. Como pude Esquecer-me do esmalte? Bem, nunca é tarde para fazer o jogo virar. Dei uma breve pesquisada e descobri que o primeiro esmalte surgiu na china 3000 a.C., uma mistura entre cera de abelha, clara de ovo e goma-arábica (???). Faltaram alguns vaga-lumes, uma penteadeira, uma câmera Tekpix, um fio de cabelo de uma ruiva virgem...

O esmalte tinha um papel importante em algumas dinastias a.C. porque indicava a posição social das mulheres e dos homens. O verniz de unha vermelho e preto indicava quem pertencia à realeza. No Egito Cleópatra utilizava o vermelho rubi. O esmalte que conhecemos hoje foi feito em 1925 e era transparente (base). Só em 1932 o esmalte ganhou cores brilhantes pelos irmãos, químicos, Charles e Joseph Revson (OBRIGADA POR ISSO). E desde então, pintar as unhas é uma banalidade. Muitos não percebem a importância do líquido que enfeita nossas mãos e pés. Talvez eu tenha desenvolvido um olhar mais clínico para escrever sobre, mas a verdade é que, em tempos de preconceito e intolerância, ainda há quem diga que pintar as unhas de vermelho é coisa de “puta”. Assim como o batom vermelho, o short curto, o decote, o esmalte faz o seu papel para combater o machismo de mentes requintadas de burrices. USA ESMALTE VERMELHO SIM! Você é da realeza, só não possui um império.

O esmalte ajuda na entrevista de emprego por demonstrar o cuidado que as mulheres possuem com as próprias unhas e também pode ajudar a passar vergonha. Como assim passar vergonha? SIMPLES, pintei as unhas dos pés de vermelho e passei mal por causa de anemia, colocaram uma sapatilha nos meus pés e me levaram ao hospital. Quando o médico pediu para que me internassem... Ele tirou a minha bolsa e A SAPATILHA. Ficou olhando para os meus pés achando que era sangue e só depois percebeu que era esmalte borrado, juntando meus dedos... FOI LINDO? FOI. ELE RIU? SIM, ELE RIU. ELE ERA GATO? ERA. EU FIQUEI BEM TRISTE? FIQUEI.   


O importante é que fiquei bem – traumatizada – e tudo deu certo. Deu tão certo que não pinto mais as unhas dos pés. Tiro a cutícula, passo uma base e só. Passar essa vergonha já foi riscado do meu caderninho “as vergonhas que passei”. Sigo em frente porque tem mais vergonha para acontecer. 

28 junho 2015

O conto de fadas contemporâneo

No meio de uma cidade grande, sem castelos, sem florestas sombrias, sem animais falantes ou espelho que fala o quanto você é bonita... Viviam pessoas normais, sem a beleza das princesas, loiras e brancas, e sem finais “felizes para sempre”. É, era uma vez o nosso conto de fadas moderno.

Crescemos ouvindo histórias inspiradoras com príncipes encantados e reinos, mas a verdade é que nada disso existiu e existe. É só pegar um livro de história, do ensino médio, e ver que os casamentos entre reis e rainhas eram por pura conveniência para ter aliados e conquistar outras terras. As princesas eram praticamente vendidas a príncipes medíocres, violentos e infiéis. O sonho de viver um conto de fadas é quebrado, sem querer, pela vida. Não precisamos nem perguntar aos nossos pais, que liam para nós antes de dormir, o que é real ou ficção. Já nascemos programados(as) para dizer que o príncipe não deveria ter beijado a Branca de Neve enquanto dormia. Isso é uma violação, sem consentimento.  

Não há “lindos e bondosos” príncipes encantados à nossa procura, para nos calçar com sapatinho de cristal. Há vendedores - em lojas de calçados - elogiando o sapato que nos interessou e convencendo os clientes a levar o produto. O príncipe moderno trabalha na empresa Não Sou Príncipe.  Não anda a cavalo, não está procurando uma princesa mimada que só pensa em casar, luxar, usar o cabelo solto de prancha e ter filhos. Eles querem a garota que não usa vestido todos os dias, querem a garota divertida, independente, aliada sem contratos e cláusulas. E as mulheres? Querem fazer o próprio final feliz, com príncipe ou sem príncipe. Com filhos ou sem filhos. Querem uma companhia para assistir o filme preferido delas, querem trabalhar e ter um relacionamento saudável. Querem uma união simples casando “na rua, na chuva ou numa casinha de sapê”, querem recomeçar quantas vezes quiserem. Querem viajar pelo mundo, conhecer outras pessoas e reconhecidas por seus trabalhos. Ao furar o dedo, as princesas modernas, não adormecem e esperam alguém para acordá-las. Elas lavam o dedo, colocam um Band-aid e voltam a fazer algo produtivo.

As princesas modernas inscrevem-se nas aulas de boxe, vestem o que querem, dominam a pista de dança, beijam muitos sapos até encontrar alguém que soma porque já são completas. Elas não se submetem, não deixam ninguém duvidar da capacidade que têm. É O PURO LIVRE ARBÍTRIO. O nosso conto de fadas contemporâneo é mais belo que os dos livros, é encantado porque fazemos as escolhas certas e aprendemos com as erradas, é contemporâneo porque não esperamos ninguém para nos salvar (conseguimos ligar para a polícia, conseguimos evitar algo que nos coloque em perigo e conseguimos abrir o pote de ervilhas sozinhas). O nosso conto de fadas é encantado porque encontramos pessoas maravilhosas que não precisam morar em um reino ou ter um cavalo branco para nos impressionar. É contemporâneo porque não somos inocentes, ingênuas e influenciáveis. Muitas vezes somos bruxas, loucas, deusas e feiticeiras.   

Existe uma enorme preguiça (dentro de mim) de quem acredita que há personagens dos livros Irmãos Grimm no mundo. Espera, existe... Em Walt Disney World Resort. E mesmo assim são pessoas, com vários problemas psicológicos e contas para pagar, caracterizadas de personagens para a alegria das crianças. Gente como a gente, fazendo o próprio final feliz.



21 junho 2015

O que acontece em uma festa open bar gay?

Tudo, menos eu casada com Adam Levine. Para falar sobre essa festa voltarei aos primórdios. O BIG BANG. Tudo começou em uma festa de aniversário da minha amiga. A mesma que me levou para um show de regaee, fazendo com que eu levasse o maior fora da minha vida e me fazendo escrever o texto FranjaSolta.

Bem, eu estava deprimida e entregue às trevas do meu quarto. Tinha desativado a minha conta no facebook, baixei uns filmes e músicas com o tema “tristeza” para sofrer mais um pouco. PORQUE ESTAVA POUCO O SOFRIMENTO. O motivo? Um bocado. Você quer em ordem alfabética ou cronológica? Vamos começar pelo: DESEMPREGO. Agora passamos por: SOLIDÃO. Pegaremos um jatinho para a próxima causa: FACULDADE. Chegaremos em: CARÊNCIA. Pronto! Este foi o Tour da Depressão feat. Drama. Só queria dormir até o ano acabar, mas não... Uma das minhas melhores amigas tinha que fazer aniversário com direito a vinho, salgados, bolo, dois cachorros lindos (que um dia eu vou sequestrar), alguns amigos da faculdade que amodoro (amar mais adorar), Ciranda de Viados™ e interromper o meu tour. Como eu devo uma vida, o mundo e o fundo a ela... Levantei da cama, me vesti de preto (luto por deixar minha cama) e fui.

Durante o trajeto até a casa dela eu só pensava em fazer que a festa fosse a melhor levando meu bom humor. Nem precisei, fizeram a festa pra mim. Porque sempre que coloco o pé na casa dela é como se eu estivesse carregando a bateria do meu corpo e mente. E ontem fez um ano que conheci a minha Ciranda de Viados™, porque foi no aniversário dela que os conheci. Às vezes eu fico contra o universo de graça e ele só quer conspirar ao meu favor sem pressa. Lá, na casa da minha amiga, eu dei gostosas gargalhadas, tirei mil selfies e fiz backing vocal repetindo a última frase das músicas. Essa festa me salvou e quando a festa acabou... A aniversariante vira para mim e “vamos para uma festa open bar gay? Tenho que comemorar mais e eu pago”. Eu disse vamos, porque nunca tinha ido para uma festa open bar. Sério. O local eu conheço desde criança porque o clube era da empresa onde meu pai trabalhava  e meu tio era presidente. Nos domingos, quando criança, eu adorava ir para tomar banho de piscina e voltar com o cabelo mais duro que rapadura por causa do cloro.

A festa open bar não estava cheia, havia alguns amigos meus e vodca. Como diz minha amiga, “senti umas vibrações sádicas” (quando uma lésbica está te querendo, ela adotou da série Orange Is the New Black) para o meu lado. Virei para os amigos e perguntei onde estavam os héteros. Deram uma risada maléfica e me senti em um filme que todo mundo conhece e adora: PROCURANDO HÉTEROS. Eu e o barman éramos os únicos héteros da festa. Ele é gato, mas a aliança no dedo parecia soltar laser cada vez que ele fazia um drink para mim. O casamento dele deve ser lindo... Queria participar. GENTE, MENTIRA. O que me impressionou era “as gay” dançando mais (e melhor) que eu. E me senti velha porque às vezes tocava umas músicas que eu não conhecia... Umas cantoras loucas... E eu esperando tocar umas coisas que eu soubesse a letra e o nome da cantora... AÍ TOCOU BRITNEY. 



Dancei um pouco e como estava de salto, o sapato começou a crucificar meu pé e fui sentar no banheiro (parece uma sauna). Estava fugindo de umas lésbicas que pegaram no meu cabelo e fizeram com que eu jurasse que não voltava mais. "EM NOME DE JESUS, ME SALVA DEUS." Eu sou tão inteligente que fui sentar no território do inimigo: o banheiro feminino. Lá eu vi uma menina chorando e mandando áudio para alguém e dizendo “não me deixe. Véi eu to aqui pra você...”. Uma DR via áudio. Apareceu outra quase desmaiando carregada pelo amigo que a colocou sentada, mas ela ficava como boneco de posto e eu só julgando como a família tradicional brasileira. Ela parecia ser menor e o melhor era as respostas que ela dava ao amigo. “Tô de boa.”

MINHA FILHA, SE VOCÊ "TAVA DE BOA" NAQUELA SITUAÇÃO DE QUERER DEITAR NO CHÃO... Imaginem quando ela não estiver de boa.